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sexta, 21 de fevereiro de 2020
Dia a Dia no Divã

Esterilidade

03 Fev 2020 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Esterilidade -

A esterilidade é uma incapacidade temporária ou definitiva de um casal em ter um filho naturalmente. Para incluir-se um casal num protocolo de cuidados da esterilidade, tal casal deve ter tido uma exposição adequada à gravidez durante um ano sem controle contraceptivo voluntário.

A esterilidade não é o fim do mundo, e também não precisa levar ao fim de uma relação. Ela pode ser uma grande frustração para algumas pessoas, a princípio uma grande fonte de sofrimento. É uma questão que pode gerar muita desavença entre o casal

A impossibilidade de cumprir este desejo pode marcar boa parte da vida da pessoa. No entanto, assim como ocorre em todas as realidades humanas, sempre há maneiras de enfrentar a situação.

A esterilidade é um problema cada vez mais comum. Estima-se que atualmente um em cada seis casais enfrente esta situação.

Geralmente a noticia é uma surpresa para o casal, quase todo mundo supõe que é capaz de procriar, por isso, não é algo fácil de assimilar. No entanto, há formas de fazer com que este processo não seja tão angustiante.

Uma das consequências mais imediatas de um diagnóstico desse é a instalação de um estado de assimetria e desconforto no casal, geralmente um dos dois é estéril, mas isso afeta ambos.

É comum que quem tem problemas de fertilidade se sinta culpado, responsável pela frustração dos desejos do outro. O outro, por sua vez, enfrenta um dilema: se quiser ter filhos de forma natural, terá que trocar de parceiro. Se continuar com o seu parceiro, terá que renunciar à possibilidade de ter filhos naturalmente. E ai se instala aquele mal estar entre o casal.

Não é fácil para nenhum dos dois. No entanto, não é bom que cada um tente solucionar o problema apenas no plano individual. É óbvio que cada um vai precisar construir a sua própria narrativa, mas o mais adequado é que o tema seja discutido abertamente, a psicoterapia de casal ajuda muito nesses casos. Do contrário, podem surgir muitos mal-entendidos levando a conflitos desnecessários.

É importante destinar tempos e espaços para falar sobre o assunto. Não é aconselhável ficar com ele na cabeça e discuti-lo o tempo todo.

Um diagnóstico de esterilidade só é feito quando as opções de reprodução assistida se esgotaram.  Isso quer dizer que, muito provavelmente, ambos já tenham alguns sinais de esgotamento emocional ao enfrentar a notícia.

Não haverá uma resolução imediata. O tema envolve um conjunto de reflexões que requerem repouso e tempo. Uma coisa é ter contemplado esta possibilidade e outra muito diferente é confirmá-la. O melhor é não se pressionar, nem pressionar o outro para dar o próximo passo.

O casal precisa decidir junto como enfrentar essa situação, pensar no seu próprio bem estar e no que fazer individualmente soa um pouco egoísta. Por isso será necessário muito dialogo e companheirismo para juntos pensarem numa forma de realizarem o desejo de ter um filho.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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