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sábado, 16 de janeiro de 2021
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DIA A DIA NO DIVÃ: Dores Emocionais

20 Nov 2017 - 04h27Por (*) Bianca Gianlorenço
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Nos dias que decorrem ainda é um pouco estranho, para muitas pessoas, aceitar que as doenças e as emoções podem de alguma forma estar ligadas. Aceitar que uma doença possa ser causada por distúrbios emocionais, faz cada vez mais sentido, e tem-se verificado que a mudança desses padrões emocionais, atenuam a doença e podem mesmo aboli-lá, se esses padrões emocionais desequilibrados deixarem de existir. 

As dores emocionais são criadas pelas dificuldades, advém de uma perda, uma falta ou de uma queda. Frustrações e luto fazem parte da vida de todos nós e sofrer por eles fazem parte; temos sentimentos. Só é preciso tomar cuidado para que as dores emocionais não tomem conta de toda sua emoção e se torne uma situação crônica. Quando as dores emocionais estão durando muito tempo e se transformando em amargura, rancor e até mesmo causando dores físicas, é sinal de alerta. Identificamos esse tipo de dor, quando a causa não é fisiológica, por ex, uma pessoa com forte dor de estômago, passa por vários exames, e não há nada de errado, essa pessoa pode ter transferido para o corpo, algo que não resolveu em sua mente, é o que chamamos de Somatização.

Elas são muito comuns, mas não aceitamos, queremos um remedinho que alivie rápido os sintomas, mas para dores emocionais não há remédio, precisamos identificar as causas e elaborá-las.

Não podemos não sentir dor, é uma condição humana. No processo evolutivo funciona como uma forma avançada de sobrevivência. A dor física permite-nos identificar a grande maioria das coisas que nos podem causar dano imediato, ou servir de alerta para algo no nosso organismo que precisa de cuidados e atenção. No que condiz à dor emocional, poderemos dizer que se assemelha às funções da dor física. Funciona como um alerta de que algo na nossa vida não está acontecendo como desejamos, ou que estamos insatisfeitos face a algo ou a alguém. Entre o estímulo que provoca dor emocional e a forma como respondemos à nossa percepção criada, reside a nossa oportunidade de resposta. Isto quer dizer que, perante o sentimento de dor emocional (que pode ser pontual e transitório), não temos necessariamente que transformá-lo em sofrimento.

O sofrimento em geral, bem como o sofrimento emocional ou a dor crónica, é uma função de desequilíbrios no funcionamento físico, mental e emocional  Porque tudo o que afeta a mente ou o corpo, irá inevitavelmente afetar a oura parte, independentemente de qual lado é originado. Desequilíbrios no pensamento podem criar desequilíbrios no funcionamento físico e vice versa. A recuperação do sofrimento gira em torno de progressivamente e continuamente restabelecer o equilíbrio nessas áreas. Esse sofrimento pode ser aliviado quando as pessoas se tornam conscientes da sua reação na presença da dor emocional. Para evitar ou diminuir a probabilidade dessa dor se tornar um sofrimento, tem de aprender-se a responder de forma construtiva a ela.

Restabelecer o equilíbrio emocional perante um acontecimento que nos gera dor, implica ganhar consciência de todo o processo que conduz ao sofrimento, para, pouco a pouco, ir implementando uma forma mais saudável de lidar com a dor.

Importa tomar consciência do pensamento negativo e do discurso interno que começam a ser ativados, para que nesse exato momento se aceite a experiência de dor emocional e se acione o processo de desapego da mesma. A ideia de desapego aqui, pode ser melhor compreendida, se perceber que na presença de dor, você é maior que ela. Que você não se resume aquele acontecimento. Na verdade, na presença de dor emocional, você continua a ter imensas capacidades e recursos, os quais pode acionar e focar-se para lhe darem algum conforto e ânimo, no sentido de, perceber que nesse momento continuam a existir imensas coisas boas, das quais pode usufruir e servirem como ajuda, para que a situação em que se encontra possa ser melhorada ou mais facilmente suportada.

Este processo é fácil de ser aprendido e praticado? Claro que não. Todavia, é absolutamente possível. Ao ajustar o nosso pensamento, e a forma como pensamos acerca dos pensamentos que temos na presença da dor emocional, podemos mudar as nossas respostas emocionais, a intensidade daquilo que sofremos (ou não), o nosso nível de tensão e estresse, e, por sua vez, a nossa experiência de dor.

O primeiro passo para se livrar deste tipo de dor, é assumir pra si mesmo que, elas já se tornaram um problema e que é preciso encontrar novas alternativas para tratá-las. A terapia é uma forte aliada nesse processo.

(*) A autora é graduada em psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica. Sugestões: biagian@hotmail.com 

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