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Coluna de Rui Sintra: Um sistema que nunca funcionou

21 Jul 2015 - 09h35Por Rui Cintra - Colunista
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Quando olhamos para o belo e soberbo país que é o Brasil, geralmente perguntamos por que é que ele não tem dado certo ao longo dos anos. Com certeza que não é por falta de riqueza natural, de um clima diverso e pujante que dá para plantar de tudo um pouco, de uma cultura diversificada, de um povo inteligente que tem ideias inovadoras e que na sua esmagadora maioria se dedica ao trabalho. Então, por que o Brasil não dá certo? Para muitos brasileiros, a resposta está nos políticos que são, por assim dizer, quase que escolhidos a dedo para fazer o que há de pior: ou seja, servirem-se a si mesmos, às suas congregações e aos seus protegidos, deixando de lado o dever de Estado e o serviço que deveriam executar, tendo em vistas o bem-estar do cidadão. Desde o início que o Brasil tentou copiar o sistema político dos Estados Unidos - presidencialismo -, sem se dar conta que estava copiando mal, que estava entrando num buraco sem fundo, já que esse é um sistema que tem de estar bem alicerçado, um sistema que, no máximo, permite a inclusão de três partidos políticos e não mais que isso. Ao contrário, o país tolerou a proliferação de largas dezenas de partidos políticos, todos eles buscando uma fatia do lauto bolo (mamata), transformando a nobre arte de fazer política em um emprego com altos índices de lucro, abrindo portas a uma corrupção desenfreada que se alastrou entre a sociedade e praticamente permeando as principais instituições do Estado;a corrupção teve o condão de envolver centenas (milhares) de pessoas de vários quadrantes sociais, profissionais e políticos, como tem demonstrado a internacionalmente famosa "Operação Lava Jato", que mais parece a "Operação Mãos Limpas", em Itália. Mais do que qualquer operação de maquiagem levada a cabo pelo governo, mais do que qualquer "Bolsa" que se possa oferecer em troca de um voto a quem, na verdade, o que necessita é de emprego, o certo é que o Brasil precisa, urgentemente, de um saneamento geral nacional, precisa efetivamente de um esfregão político gigante e de trilhões de litros de água sanitária para remover toda a sujeira que se encontra entranhada neste maravilhoso país (principalmente em Brasília!) e que contamina mortalmente a sociedade. O sentimento do cidadão brasileiro é de vergonha, com os repetidos escândalos de corrupção que acontecem nas mais altas esferas dos poderes públicos, uma vergonha que invade até o ser mais humilde desta mui nobre e respeitada Nação verde e amarela: escândalos que alimentam fartamente os absurdos cometidos diariamente. Com tantos erros, trapaças, incompetências, atropelos e absurdos, há já quem defenda que o sistema presidencial chegou ao fim e que é hora de instituir um sistema parlamentarista. Já se ouve nas ruas que se o sistema parlamentarista estivesse instituído, nenhum governo teria chegado ao ponto em que este chegou.

(*) O autor é jornalista correspondente

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