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domingo, 20 de junho de 2021
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Coluna de Rui Sintra: Nós e Ali Baba

25 Ago 2015 - 15h54Por Rui Sintra - Colunista
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Não tem jeito! Neste momento, faça o movimento que fizer, o governo brasileiro se afunda cada vez mais numa areia movediça que ele próprio criou. A ingovernabilidade está cada vez mais visível e insustentável, uma situação que, por incrível que pareça, eclodiu dentro da própria aliança que tinha - e tem - a responsabilidade de governar o país: ou seja, não foi preciso a oposição carregar no acelerador para desarticular o governo... Ele próprio teve competência para fazer isso. Incapaz de comandar, quer em termos políticos, quer em termos econômicos, o governo brasileiro esvaziou-se, esgotou as poucas ideias válidas que tinha, ficou sem projetos e sem apoios, inclusive da população. Michel Temer, vice-presidente da república, largou agora seu cargo de articulador político: foi mais um que abandonou o barco e não é de estranhar essa atitude, até porque ele já tinha observado que as estratégias governativas não iriam a lugar algum.

Também só agora Dilma Rousseff se lembrou que era necessário enxugar a máquina pública, ao propor a redução de 10 ministérios, do lote de 39 que existem, quando na campanha de 2014, quando a oposição sugeriu esse corte, ela ironizou, dizendo que essa era uma ideia ridícula, inconcebível e desnecessária. Ou seja, agora o ridículo se tornou opção viável e só agora é que ela decidiu cortar na carne depois de impor à população sacrifícios incalculáveis, resultantes de um primeiro mandato desastroso, onde a mentira e as falsas expectativas sempre estiveram na ordem do dia. É claro que a fatura teria de aparecer, mais cedo ou mais tarde. Infelizmente, quem está pagando essa conta astronômica é o povo, principalmente o mais necessitado que, depois de ter sentido alguma ascensão na sua qualidade de vida, devido a programas sociais que se julgavam permanentes, mas que acabaram por ter apenas fundo eleitoral, agora acaba por ver que tudo não passou de uma quimera e que de repente tudo voltou a ser como antes - talvez até pior.

O calvário do governo não fica por aí, já que o ministro do STF, Gilmar Mendes, pediu que a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal investiguem se de fato houve crime durante a campanha de Dilma Rousseff em 2014, tendo argumentado que existem indícios de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, fatos que podem levar à abertura de ação penal, sendo esta mais uma situação perigosa para o governo. A sensação que tenho ao conversar com pessoas quer pertencem aos mais diversos estratos sociais, é que a corda está prestes a rebentar; de tal forma que já existem clivagens na sociedade e que existe o risco de uma convulsão social, principalmente devido à estagnação do país em termos políticos e econômicos que interferem entre si. Impostos absurdos, insatisfação quase generalizada nos agentes econômicos, despedimentos sucessivos, alta taxa de desemprego, corrupção desenfreada nos mais variados setores públicos e privados, incluindo em órgãos governativos, incompetência governativa e descaso total, estão levando o Brasil a um caos profundo e a uma imagem internacional nunca antes imaginada. O último exemplo dessa imagem que o Brasil reflete no exterior foi através de uma reportagem veiculada pelo jornal alemão Handelsblatt, quando da recente visita ao Brasil da chanceler alemã, Angela Merkel. O título desse jornal, em sua edição de 20 de agosto (encabeçando uma foto de Dilma Rousseff e de seus 39 ministros), foi "Ali Baba e os 39 ladrões", com a notícia alegando que "(...) Um escândalo de corrupção de bilhões de dólares ao redor da companhia petrolífera Petrobras paralisa política e indústria. A indústria da construção, bem como cerca de 50 políticos de alto escalão da coalizão governista, estão implicados (...)"

Não existe alegria ou entusiasmo quando, por força das circunstâncias, temos que escrever criticando o poder instituído, principalmente quando a crítica corresponde à verdade. Não nos move paixões exacerbadas nem correntes ideológicas... Não somos escribas do National Front nem do Gramma. Por outro lado, não nos sentimos na obrigação de escrever elogiando o poder instituído quando ele faz algo positivo. Porquê? Simplesmente porque, fazer as coisas certas, é o dever de quem governa, em qualquer lugar do mundo, cumprindo as promessas que fez ao eleitorado. Portanto, nada de loas!!!!

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