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sexta, 18 de junho de 2021
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Coluna de Rui Sintra: Intolerância ou o resultado de várias provocações?

01 Set 2015 - 15h30Por Rui Sintra - Colunista
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Domingo passado, a Avenida Paulista, na capital, foi cenário de xingamentos e de bate boca entre dois grupos que protestaram: um contra o governo e outro a favor do PT e da presidente da república. Ambos os grupos só não chegaram a um confronto físico sério por mero acaso. Inclusive, o atual ministro da justiça, José Eduardo Cardoso, que caminhava nesse momento, tranquilamente, como qualquer cidadão, rumo a uma livraria no Conjunto Nacional, foi xingado. Esses acontecimentos, que começam a despontar com mais frequência no Brasil, são um autêntico barril de pólvora prestes a explodir, com possibilidades de se agravarem e de se generalizarem pelo país. Como já escrevi em outras oportunidades, não me move qualquer paixão, ideologia ou fanatismo político-partidário, daí a minha tranquilidade em viver a vida com naturalidade, mas sempre atento a tudo que se passa em meu redor, principalmente com olhar crítico; como diria alguém, "doa a quem doer". Os acontecimentos que eclodiram na Avenida Paulista foram, inclusive, pauta de um artigo que escrevi há cerca de dois meses, onde já alertava para a eventualidade da eclosão de confrontos civis, devido à situação política cujos bastidores só foram descobertos após as últimas eleições. É óbvio que a maioria da população se sente, desde essa época, não só enganada, frustrada, irritada e uma parte dela em desespero, devido ao aumento dramático da carga tributária e do próprio custo de vida, como também pelo espectro real do desemprego. É natural que, para essa população, a única coisa que pode fazer - ainda de graça - é ir para a rua, gritar, esbracejar e por vezes se exceder, o que não quer dizer que parta para a violência, para o confronto físico. Para outra parte da população, talvez em muito menor número, ainda existe a esperança que, quer seu partido político, quer a mulher escolhida para o cargo de presidente, consigam dar a volta por cima, consigam se recuperar: estão no seu direito de pensar assim e de se manifestarem nesse sentido, com toda a legitimidade, mas, de igual forma, sem violência, sem confronto físico. Até têm direito aqueles que, quer de um lado, quer de outro, e que eventualmente recebam gratificações dos partidos da situação e da oposição para engrossarem as fileiras dos manifestantes com a missão de "esquentar" o ambiente, mas com as mesmas limitações acima citadas. Depois desses acontecimentos, a palavra "intolerância" foi largamente utilizada, principalmente pelas hostes da situação, indubitavelmente como forma de autodefesa. Contudo, há necessidade de uma ponderação: tratou-se mesmo de intolerância aquilo que aconteceu no domingo passado? Acho que não foi o caso. A intolerância não nasce de um momento para o outro, ela demora muito tempo para se instalar. Por outro lado, o inconformismo, o descontentamento, a revolta interna do ser humano desenvolve-se rapidamente, na maior parte das vezes sustentados por fatos graves; e esses fatos, no Brasil, começaram a eclodir após as últimas eleições presidenciais, quando o povo começou a tomar ciência das barbaridades econômicas e políticas cometidas no mandado anterior, naquilo que se designou por "farra". Para agravar ainda mais os ânimos de quem se sentiu traído, enganado e ultrajado por quem o deveria representar nacionalmente, alguns mercenários políticos, travestidos de líderes pseudo-sociais, ameaçaram sair nas ruas com "seus exércitos", e "de armas nas mãos". É óbvio que o cidadão de bem não pactuou - nem pactua - com esse tipo de manifestação, com esses desmandos e com esse tipo de ameaça declarada que, por incrível que pareça, foi (e parece ser ainda) apoiada pelo silêncio cúmplice de quem deveria agir contra. Está-se a assistir ao lento declínio de um dos mais promissores e pujantes países do mundo. A "farra" anterior foi tão grande, que, inclusive, neste preciso momento, o governo nem sequer consegue apresentar um orçamento viável para 2016 sem apresentar um rombo de R$30 bi. O que assistimos no domingo foi intolerância? Não! No meu ponto de vista, pareceu mais uma resposta impulsiva em face às provocações que periodicamente emanam de Brasília. Alguém tem que tomar a frente e evitar que situações como essa que aconteceu na Avenida Paulista se repitam ou alastrem.

As informações acima são de responsabilidade do autor.

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