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sexta, 10 de julho de 2020
Qualidade de Vida

Bulimia (capítulo 3)

13 Fev 2020 - 07h00Por (*) Paulo Rogério Gianlorenço
Bulimia (capítulo 3) -

Bulimia ou bulimia nervosa é um transtorno alimentar. É caracterizada por episódios recorrentes de compulsão alimentar seguidos por comportamentos compensatórios como, por exemplo, a provocação de vômito.

O que é compulsão alimentar? A compulsão envolve duas características principais: Comer uma quantidade muito grande de alimento dentro de um período de tempo relativamente curto (por exemplo, dentro de duas horas); Sentir uma sensação de perda de controle ao comer (por exemplo, sentir-se incapaz de parar de comer).

Os comportamentos compensatórios são usados como uma forma de tentar controlar o peso após os episódios de compulsão alimentar. Eles incluem: Vômito, Utilização indiscriminada de laxantes ou diuréticos, Longos períodos de jejum, Prática excessiva de exercícios físicos e o Uso de qualquer droga, lícita ou ilícita, prescrita ou “sem receita médica” de forma inadequada para controle de peso (uso inadequado refere-se ao uso que não é indicado e para o qual o medicamento não foi desenvolvido).

Uma pessoa com bulimia nervosa pode se perder em um ciclo perigoso, comendo sem controle e tentando compensar. Isso pode levar a sentimentos de vergonha, culpa e desânimo, tais comportamentos podem se tornar mais compulsivos e incontroláveis ao longo do tempo, e levar a uma obsessão com alimentos, pensamentos sobre como comer (ou não comer), perda de peso, dieta e imagem corporal.

Esses comportamentos são muitas vezes escondidos. Indivíduos costumam manter seus hábitos secretos de alimentação e exercícios. Como resultado, a bulimia pode muitas vezes não ser detectada por um longo período de tempo.

Muitas pessoas com bulimia experimentam oscilações de peso e não perdem peso. Elas podem permanecer na faixa de peso normal, estar ligeiramente abaixo do peso ou mesmo ganhar peso.

O diagnóstico da doença nem sempre é fácil, porque os sintomas não são evidentes como os da anorexia. Por isso, o levantamento da história do paciente, seus hábitos alimentares e a preocupação constante com o peso são dados que precisam ser cuidadosamente observados, segundo o DSM. IV, o manual de diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais, a pessoa precisa apresentar dois episódios por semana de ingestão descontrolada de alimentos, durante três meses no mínimo, para ser classificada como portadora de bulimia nervosa.

Quando há suspeita de bulimia, o médico deverá realizar um exame físico completo do paciente em questão e pedir para que ele faça um exame de fezes e urina.

É comum também que haja necessidade de avaliação psicológica do paciente, uma vez que a bulimia é um distúrbio alimentar muitas vezes relacionado ao psicológico.

O tratamento da bulimia nervosa exige acompanhamento de equipe multidisciplinar composta por médicos, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas. Medicamentos antidepressivos podem ser úteis, especialmente se ocorrerem distúrbios como depressão e ansiedade.

Da mesma forma, a psicoterapia cognitivo-comportamental tem mostrado bons resultados em longo prazo, especialmente quando associada ao uso de antidepressivos e estabilizadores do humor.

Infelizmente, não se conhecem métodos eficazes para prevenir patologias como a bulimia e a anorexia, o empenho da sociedade para mudar certos valores estéticos ligados ao culto do corpo e à magreza traria benefícios importantes para a saúde.

Ao considerar as abordagens de tratamento para um transtorno alimentar, é importante entender que diferentes pessoas respondem a diferentes tipos de tratamento, mesmo que esteja com o mesmo transtorno alimentar.

Em geral, uma pessoa com transtorno alimentar precisará de uma combinação de tratamentos como parte de um programa de recuperação. Alguns tratamentos são mais adequados a distúrbios alimentares específicos do que outros e uma abordagem multidisciplinar ao tratamento é muitas vezes a melhor maneira de tratar a bulimia.

Pessoas com bulimia raramente vão ao hospital, exceto quando os ciclos de comportamento bulímico acarretam também em anorexia, ou quando forem necessários medicamentos para ajudar a interromper a purgação e, também, em casos em que depressão profunda estiver presente.

Com mais freqüência, uma abordagem passo a passo é usada para pacientes com bulimia. O tratamento depende da gravidade da bulimia, assim como a resposta da pessoa aos tratamentos, Grupos de apoio podem ser úteis para pacientes em condições estáveis, que não têm nenhum problema de saúde, A terapia cognitivo-comportamental (TCC) e a terapia nutricional são os melhores tratamentos para a bulimia que não responde a grupos de apoio, Antidepressivos geralmente são usados para bulimia.

Os pacientes com bulimia podem desistir dos programas se tiverem esperanças não realistas de serem "curados" somente com terapia. Antes do início de um programa, deve-se esclarecer o seguinte: Várias terapias provavelmente serão experimentadas até que o paciente possa superar esse distúrbio grave, É comum a bulimia retornar (recaída), mas isso não é motivo para desespero, O processo é doloroso e exige um trabalho árduo da parte do paciente e de sua família.

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento, siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Bulimia é uma doença de difícil recuperação, mas a cura é possível, a bulimia é uma doença com efeitos em longo prazo, pessoas ainda apresentarão alguns sintomas, mesmo com o tratamento. Pessoas com menos complicações médicas de bulimia e aquelas que têm vontade e podem participar da terapia têm uma chance maior de recuperação.

Apesar de não haver um meio 100% garantido de se prevenir da bulimia, é sempre possível evitar o contato com alguns fatores contribuintes.  Cultive sempre a idéia de um corpo saudável com seu filho ou filha, independentemente da silhueta ou do peso, converse com o pediatra de seu filho ou filha eles podem notar desde cedo algumas indicações de distúrbios alimentares e as melhores maneiras de evitar que eles se desenvolvam, converse com um médico também se souber de algum parente da família que já teve ou tem algum tipo de distúrbio alimentar.

A pessoa pode ajudar a aprender desde cedo a lidar com a questão e a impedir que o problema evolua.

(*) O autor é graduado em Fisioterapia pela Universidade Paulista Crefito-3/243875-f Especialista em Fisioterapia Geriátrica pela Universidade de São Carlos e Ortopedia.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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