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terça, 21 de setembro de 2021
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Artigo Tati Zanon: Merecemos o governo que temos

19 Out 2017 - 09h27Por (*) Tati Zanon
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Começarei o artigo contando a vocês, queridos leitores, uma história pra lá de interessante. Aconteceu há algum tempo, no sábado que antecedia o dia dos pais, em um supermercado situado em Natal (RN). Uma TV Samsung LED, 55 polegadas, foi colocada à venda por R$ 279. Muito estranho um produto que normalmente custa entre R$ 2.700 e R$ 3.500 estar sendo vendido em 10 prestações de R$ 27,90, não é mesmo?

Estranho, pois, de fato, tratava-se de um equívoco de um dos funcionários do mercado que imprimiu o preço errado na etiqueta, o que foi suficiente para causar um escândalo daqueles. A confusão foi tão grande que até mesmo o coordenador-geral do Procon/RN foi acionado e, pasmem, deu razão aos desonestos consumidores. "Nós recomendamos que o estabelecimento fizesse a venda pelo valor anunciado", afirmou. O final dessa história? A empresa foi notificada, e poderá ser multada em até R$ 500 mil por propaganda enganosa.

A razão de contar a vocês essa história é para reforçar uma incoerência com a qual me deparo todos os dias em três momentos distintos: ao acessar os principais portais de notícias, ao acessar as redes sociais e, finalmente, ao ouvir tantas e tantas histórias similares a que contei a vocês nos parágrafos anteriores. E vamos à incoerência: reclamamos o tempo todo dos bandidos que nos governam, mas, na primeira oportunidade que temos, agimos tão desonestamente quanto eles.

Estou certa de que muitos de vocês devem estar pensando agora: "Espere aí, Tati, então você quer comparar a história do RN com os roubos e rombos bilionários feitos por nossos políticos?". Sim, meus queridos, eu quero!

Em minha concepção, a história da TV ilustra exatamente o "jeitinho brasileiro": mesmo sabendo que não seria possível que uma TV com as especificações descritas não custaria R$ 279 nem em nossa hilária "black 'fraude'", alguns consumidores, mesmo depois de informados que se tratava de um erro, insistiram em comprar a TV pelo preço da etiqueta, não se importando que isso poderia prejudicar não somente o estabelecimento em si, mas os funcionários que dele faziam parte. Foi o jeitinho brasileiro entrando em ação, procurando brechas na lei, para dar legitimidade a algo que, obviamente, tratava-se de um equívoco.

Pensemos, então, agora, em todos os momentos tensos e revoltantes que temos testemunhado nos últimos dias (nem precisamos ir tão longe e pensar nos últimos anos): não estão os políticos exatamente usando as brechas na lei, e o poder que essas mesmas leis conferem a eles, para manter livres e exercendo o poder Michel Temer, Aécio Neves, Renan Calheiros e tantos outros ladrões que administram nosso país? Não foi essa a mesma "técnica" utilizada pelos consumidores do mercado de Natal?

Sabem, meus queridos, estou exausta... Exausta em ver tanta gente desonesta se aproveitando da boa fé dos bons. Estou enfurecida em ver que tantos e tantos brasileiros não aproveitam as brechas para fazer o bem e exercer a cidadania, mas sim para serem tão corruptos quanto aqueles que ocupam o topo da pirâmide.

Mas, mesmo cansada de ver tanto cidadão comum praticando desonestidades e ações anticidadãs todos os dias, mantenho a fé de que estamos caminhando para um cenário mais positivo, para uma reavaliação de conceitos. Finalizo esse artigo com uma frase de Montesquieu (1689-1755), para que cada querido leitor deste artigo preste atenção nas armadilhas diárias que podem cair e, sobretudo, evitem-nas com toda força que tiverem: "A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção de seus princípios".

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E você, querido leitor, o que pensa sobre isso? Está de acordo comigo? Deixe seu comentário aqui ou em minha página no Facebook.

(*) A autora é jornalista e pesquisadora em Gestão do Conhecimento e Sistemas de Informação. 

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