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domingo, 11 de abril de 2021
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Artigo Rui Sintra: Colocando a máscara da vergonha

15 Set 2017 - 08h09Por (*) Rui Sintra
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Entendo perfeitamente os sentimentos de revolta, tristeza e principalmente de vergonha, manifestados por muitos amigos meus quando falam ainda apaixonadamente de seu país - Brasil -, um reflexo natural advindo de a Nação ter sido entregue ao longo dos últimos aos mais variados tipos de gangues e criminosos individuais que, além de roubarem tudo e todos, insistem ainda em vilipendiar o cidadão comum de bem na sua dignidade, boa-fé, honestidade e, principalmente, na sua inteligência. Subscrevo por inteiro o sentimento desses meus amigos.

Os fatos que aconteceram recentemente e que corroboram com o que se passou ao longo do tempo recente, mostram com perfeita clareza que tipo de país o Brasil se transformou, bem como a identificação clara dos responsáveis que, embora ostentando gravatas caras e ternos de seda, pouco ou nada diferem daqueles que pululam as mais perigosas favelas erguidas impunemente no nosso território e que trajam bermudas e regatas baratas, ou mesmo aqueles que, vestindo jeans "made in Paraguay", diariamente contrabandeiam armas, munições e drogas pelas sempre permeáveis fronteiras nacionais.

O cinismo, a mentira, a trapaça, o espírito ofensivo e criminoso embutido no cotidiano daqueles que dizem representar a voz do povo e que inclusive se atrevem a dizer que são os únicos capazes de resolver os problemas da Nação, causam uma inusitada sensação de náusea a todos quantos são honestos, independente de suas filosofias políticas ou partidárias. Enquanto a maior parte dos atuais membros do governo tenta esconder suas mazelas criminosas individuais, tudo leva a crer que a Papuda já inaugurou uma nova infraestrutura no Congresso Nacional, onde certamente não haverá diferenciação na cor dos uniformes dos detentos: tudo isso perante o olhar ávido, mas disfarçado, de uma oposição que ainda luta nas sombras para regressar ao poder supremo da Nação, defendendo o mesmo modelo de política que arruinou o país, brandindo as mesmas armas, mantendo o mesmo discurso da década de 1970 do século passado e tentando doutrinar novos membros para suas pífias hostes.

Resta o quê? Por enquanto, resta o judiciário - em todas as suas instâncias - que, embora com uma enormidade de defeitos, ainda consegue ser de longe o melhor de todos os atores nacionais; temos ainda o Ministério Público (obviamente) e, claro, a Polícia Federal, que se tornou o horror dos políticos malfeitores e que, por onde quer que passe - ou esteja - consegue arrancar fortes aplausos da sociedade (diga-se, das pessoas de bem). O que resta ao bandido quando é preso?... Dizer "eu sou inocente", "não fui eu", "não sabia de nada": esta é a típica ladainha várias vezes repetida na mídia por aqueles que inevitavelmente estão deixando suas digitais no grande oásis criminal chamado POLÍTICA.  Resta a esperança de uma transformação profunda do sistema político, um limite no número de partidos políticos (sabemos a razão, não é?) e o surgimento de novos protagonistas no cenário político do país, que, principalmente, sejam honestos.

2018 está aí e com ele estará mais uma novela chamada "eleição", fazendo erguer, com certeza, mais um "Cirque du Soleil" (sem querer ofender tão prestigiado grupo artístico). Não irei votar! Disso, tenho a certeza!... Assim, em gesto solidário com meus amigos, colocarei uma vez mais minha máscara da vergonha.

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