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quinta, 29 de outubro de 2020
Artigo Rui Sintra

Aparelhos eletrônicos proibidos em salas de aula na França

07 Ago 2018 - 06h00Por (*) Rui Sintra
Aparelhos eletrônicos proibidos em salas de aula na França -

A partir do próximo mês de setembro, todos os alunos do ensino médio francês com idades até 15 anos estarão proibidos de portar smartphones e/ou tablets nas salas de aula (incluindo intervalos), cabendo a cada escola adotar essa medida. De fato, desde 2010 que já existia uma lei na França impondo essa restrição, que agora foi oficialmente implementada, tendo em vista, segundo os legisladores, proteger as crianças de hábitos viciantes que prejudiquem o aprendizado, bem como a preservação do ambiente em sala de aula. Contudo, esses equipamentos poderão ser utilizados em caso da realização de atividades educativas ou extracurriculares, devidamente supervisionadas pelos professores.

Poderá parecer algo exagerado: certamente que esta medida, no Brasil, iria levantar discussões azedas em diversos quesitos, como liberdades individuais, segurança dos menores, etc.. Falei com um amigo meu, que é professor em Paris, e ele explicou melhor o fundamento desta nova regra nas escolas do ensino médio. Segundo ele, a proliferação e utilização de smartphones e tablets nas salas de aula se sobrepunha à real necessidade de manter os alunos concentrados nas aulas, o que para o governo francês era uma ameaça ao bom desempenho escolar individual e coletivo, ameaçando assim os índices de sucesso na educação dita básica e um obstáculo para o trabalho dos professores. Assim, proibidos de transportar seus aparelhos para as salas de aula, resta aos alunos depositá-los nas secretarias das escolas ou em seus armários individuais, reavendo-os na saída das aulas. A nova lei parece não ter impactos negativos nos pais dos jovens que, a princípio, concordam com a medida, até porque em caso de emergência caberá à escola entrar em contato com eles.

Famosa por de quando em vez aprovar leis polêmicas, neste caso a França parece querer dar vários exemplos em simultâneo, principalmente no que diz respeito à manutenção da qualidade da educação básica e da disciplina que dá a seus jovens cidadãos, tendo em vistas a perspectiva de uma vida universitária de excelência.

(*) O autor é Jornalista profissional / Membro da GNS Press Association (Alemanha) / Correspondente internacional freelancer.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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