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segunda, 06 de abril de 2020
Resplandecente Alma

Amor Eros - Função infantil e função adulta

13 Fev 2020 - 16h15Por Anaisa Mazari
Amor Eros - Função infantil e função adulta - Crédito: Arquivo Pessoal Crédito: Arquivo Pessoal

Dos sete tipos de amor, quando chegamos ao amor Eros, surge o desejo de associação amorosa preferencialmente com alguém diferente da família para a continuidade do desenvolvimento pessoal e do sistema familiar, seguimento da descendência etc. O amor Eros é o quarto degrau da escada da evolução amorosa, sendo precedido dos tipos de amor Pornéia, Storgè e Philia e sucedido pelos amores Materno, Paterno e Ágape. Cada degrau compreende inicialmente o abastecimento de amor para níveis cada vez mais elevados da capacidade de doação. O amor Eros é o tipo de amor em que o equilíbrio entre o dar e o receber deve ser igualitário entre o casal para vivências mais saudáveis. Mas por que em muitas situações o amor Eros é fonte mais de sofrimento e disfunções do que de desenvolvimento e prazer? As razões são muitas e aqui serão apontadas algumas delas.
  

O amor Eros compreende a função adulta de amar. Na escala de evolução amorosa, a partir da satisfação das necessidades afetivas infantis, abastecidos do amor saudável, tornamo-nos capazes de amar na função adulta. Dar e receber seriam trocas naturais. História de vida, histórico familiar no quesito de "montar casais", visões acerca do que é o amor e expectativas diversas interferem na escolha dos parceiros. Os casais em geral levam inconscientemente para o relacionamento, traumas e vazios infantis, projetando no companheiro(a) sobretudo a figura materna, com expectativas de cuidado obtidas e não obtidas através dos vínculos com a família de origem. A reedição de experiências é comum, mas se o indivíduo se encontra na função adulta que esse tipo de relacionamento pede, a relação se torna uma grande oportunidade de evolução e amadurecimento, havendo a possibilidade de criar novos significados para os acontecimentos tanto do passado, como do presente. A grande questão  é que muitas pessoas, quando não conscientes da sua própria criança interior, permitem que ela conduza diversos papéis que seriam adultos,  de  forma infantilizada. O que aconteceria se uma criança dirigisse um veiculo à sua maneira? Responda você mesmo! Frustrações amorosas e até mesmo a busca inconsciente por parceiros com características que tendem a reforçar os traumas, quando não trabalhadas e elaboradas resultam infelizmente no aprisionamento emocional em ciclos que se repetem - mas também que podem ser um grande convite da vida para uma mudança de postura e escolhas.

Outra questão relevante são as disfunções e outros amores "concorrendo" com o amor Eros. Todos os tipos de amor podem e devem coexistir, mas não é raro observar quantos "adultos" existem por aí vendo pares em potencial como objetos, algo inerente ao amor Pornéia - inclusive o termo pornografia é derivado desta palavra. O objeto de amor que é buscado, satisfaz momentaneamente e perde sua função logo após. Os famosos contatinhos da atualidade, a lista de interesses em que se cultiva todos ao mesmo tempo, muitas vezes da mesma maneira e até mesmo com as mesmas palavras, sem nenhuma necessidade de permanência ou investimento amoroso de fato adulto. Em contrapartida, é comum também amores do tipo Materno e Paterno se sobressaírem na relação erótica. Adultos com crianças interiores com característica salvadora tendem a estabelecer relações de cuidado pouco saudáveis para casais. O desequilíbrio impera em razão de quem cuida estar em posição hierárquica superior frente ao parceiro que é cuidado, transmitindo a mensagem de desqualificação e incapacidade - em um tipo de vínculo onde ambos deveriam estar na função adulta e no mesmo nível de troca igualitária em todos os sentidos. Por sua vez, o parceiro cuidado na relação ganha características infantilizadas. Abusos e violências diversas também podem ganhar espaço em vínculos constituídos com tais configurações.

Convém salientar que muitos buscam no amor Eros a segurança - mais uma necessidade infantil geralmente promovida pelo amor Materno, ao passo que a realidade de um bom relacionamento erótico é a aventura, a novidade, o inesperado, a descoberta, o conhecer a vida também a partir dos referenciais do outro. Na função adulta temos a possibilidade de dar à nossa criança interior o que falta a ela através de diversas formas de autocuidado. Olhar para a nossa criança interior e dar a ela o que ela precisa é tarefa do adulto que existe em nós e não dos parceiros que passarão pela nossa vida. Funções em ordem e equilíbrio entre o dar e receber garantirão muito mais oportunidades de sucesso da relação e desenvolvimento emocional que terá ressonâncias em todo o sistema familiar.

Anaísa Mazari, é graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. CRP 06/100271, especialista em  Saúde da Família e Comunidade através do Programa de Residência Multiprofissional da UFSCAr,   Terapeuta e Consteladora Sistêmica através do Instituto Brasileiro de Consciência Sistêmica - IBRACS Ribeirão Preto. Atua como psicóloga clínica e Consteladora.

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