sábado, 18 de maio de 2024
Artigos científicos com Kleber Chicrala

A influência das bactérias no câncer de pele e o papel da Terapia Fotodinâmica

12 Mai 2024 - 07h00Por Da redação
A influência das bactérias no câncer de pele e o papel da Terapia Fotodinâmica -

Rebeca Vieira de Lima – Bióloga, Mestre e Doutoranda em Biotecnologia pelo PPGBiotec da UFSCar – Desenvolve projeto no CEPOF - INCT - IFSC: Instituto de Física de São Carlos - USP

Tem sido cada vez mais evidenciado na literatura a forte influência das bactérias na ocorrência de infecções humanas graves e isso também procede para o câncer de pele. A epiderme, uma das camadas da nossa pele, possui mecanismos de defesa e a capacidade de correção de anormalidades estruturais causadas por mutações genéticas ou danos físicos, além disso, sua constituição possibilita o equilíbrio da microbiota. No entanto, não é somente a questão genética que influi na transformação de uma lesão em carcinoma espinocelular por exemplo. Quando há alterações nas comunidades bacterianas, ocorre a disbiose no microbioma da pele, assim, as bactérias patogênicas desencadeiam no sistema imunológico a resposta inflamatória, sendo a inflamação, um fator amplamente reconhecido na tumorigenese, ou seja, na formação do tumor, além de ser determinante para sua progressão. A superexposição solar da nossa pele aos raios UV-A/B por exemplo danificam as células saudáveis e causam a deterioração e disfunção da barreira cutânea, essa mudança fisiológica da pele faz com que o seu microbioma saudável se torne disbiotico, dando chance aos microrganismos patogênicos, tais como a Staphylococcus aureus ou até mesmo uma multirresistente como a MRSA (Staphylococus aureus resistente à meticilina). A bactéria pode, portanto, aumentar os danos na lesão, se proliferar, colonizar a lesão e liberar toxinas que ativam células mononucleares induzindo a regulação positiva crônica de citocinas pró-inflamatórias que podem afetar a carcinogênese. Portanto, este projeto de doutorado orientado pelo professor Dr. Vanderlei Salvador Bagnato - Coordenador do CEPOF - INCT - IFSC -USP,  e pela professora Dra. Kate Blanco - CEPOF - INCT - IFSC - USP, está sendo desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos da USP no Laboratório de Biofotônica - CEPOF - INCT - IFSC - USP, utilizando a terapia fotodinâmica como ferramenta essencial para a diminuição da colonização de bactérias patogênicas e resistentes, tais como a S. aureus e restaurar o microbioma de uma pele saudável. Além disso, está sendo estudado, dentro da perspectiva da ecologia microbiana, o potencial terapêutico da inativação fotodinâmica para contribuir com espécies bacterianas específicas e comensais, como a Staphylococcus epidermidis que competem com a patogênica na tentativa de restaurar a eubiose microbiana na pele. Sendo assim, os estudos são feitos com culturas puras e mistas das bactérias estudadas, para que o estudo in vitro se torne mais “próximo” da realidade de uma infecção bacteriana, a qual envolve toda uma diversidade de microrganismos e suas diferentes formas de interação.

Fontes: Rebeca Vieira de Lima – Doutoranda em Biotecnologia pelo PPGBiotec da UFSCar – Desenvolve projeto no CEPOF - INCT - IFSC: Instituto de Física de São Carlos - USP ;  Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato - Coordenador do CEPOF - INCT - IFSC -USP,  e pela Prof. Dra. Kate Blanco - CEPOF - INCT - IFSC - USP; Ms. Kleber Jorge Savio Chicrala - Difusão Científica e Jornalismo Científico CEPOF - INCT - IFSC - USP.

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