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domingo, 16 de junho de 2019
Qualidade de Vida

Desigualdade de Membros Inferiores (síndrome da perna curta)

27 Dez 2018 - 07h00Por (*) Paulo Rogério Gianlorenço
Desigualdade de Membros Inferiores (síndrome da perna curta) -

Quando um indivíduo tem uma das pernas menor que a outra chamamos de desigualdade ou diferença de membros inferiores, quando são discretas não causam alterações, mas podem ocasionar desalinhamentos e dores, principalmente para os praticantes de atividades físicas repetitivas e de impacto.

A síndrome da perna curta, chamada cientificamente de dismetria dos membros inferiores, é uma situação em que uma perna é mais curta que a outra e a diferença entre elas podem variar de menos de um centímetro até vários centímetros e quanto maior for esta diferença, mais desconforto o indivíduo irá sentir e pior será o prognóstico. A perna curta pode ser classificada como sendo verdadeira ou falsa, a perna curta verdadeira ocorre quando os ossos da perna estão realmente mais curtos e é chamada de perna curta falsa quando o comprimento dos ossos da perna é igual, mas existe um desnível do quadril.

A desigualdade de membros inferiores está presente em cerca de 70% á 80% da população em geral, podendo ser do tipo estrutural onde existe diferença no comprimento de estruturas ósseas, ou funcional, como resultado de alterações mecânicas dos membros inferiores. Essa desigualdade pode ainda ser classificada quanto a sua magnitude, sendo discreta, moderada, ou grave, desigualdades discretas tem sido associada especificamente a fratura por estresse, dor lombar e osteoartrite, e quando uma desigualdade esta presente em indivíduos cuja sobrecarga mecânica é acentuada pela sua pratica profissional, diária ou recreativa, estas alterações ortopédicas podem se manifestar precoce e gravemente.

As causas são varias, aqui vou citar as mais conhecidas:

Se a causa da diferença de membros for funcional, um mau alinhamento estará relacionado, da pelve ou da coluna (como é o caso das escolioses), dos joelhos e tornozelos (que tornaram um membro mais encurtado que o outro), na musculatura mais fraca ou mais tensa que a outra, causando desalinhamento.

A causa estrutural, na qual existe uma diferença de tamanho entre os ossos e estruturas, alterações congênitas ou genéticas, traumas com fraturas que consolidaram de maneira errada, problemas de consolidação das fraturas, Traumas e infecções que podem ter perdas ósseas, osteoartrose, que acaba desgastando a cartilagem e os ossos.

Neuromuscular, desequilíbrio muscular causando tração diferente na pelve gerada pelo encurtamento especialmente do piriforme, que leva a uma rotação externa do fêmur encurtando assim a perna e isquiotibiais e algumas doenças como póliomelite e paralisia cerebral entre outras.

O paciente e atleta podem se apresentar com uma alteração da marcha como claudicação, (mancar).

Dor na perna mais curta devido ao aumento do impacto, dores nas articulações devido à sobrecarga como dor no joelho, síndrome  do trato íleo tibial, pronação do pé compensatória e fascite plantar, artrose do quadril, joelhos e diferença de força nos membros inferiores.

Pode também ocorrer aumento ou degeneração do disco vertebral, desenvolvimento de escoliose já que a coluna vertebral adota uma posição errada desviando-se do seu eixo normal para um dos lados alterando a posição de cada vértebra, como forma de compensação para o desnível do quadril causando dores lombares, as costas como um todo, dores no pescoço, dores de cabeça.

Os sintomas variam entre os pacientes, dependendo do esforço físico e sobrecarga que o mesmo faz nas pernas.

Todas as estas complicações podem estar relacionados entre si, pois como uma das pernas é mais curta, o corpo terá que se adaptar a esta realidade adotando posturas compensatórias incorretas que com o passar do tempo podem causar dores e inflamações, e desvio da cabeça e pescoço.

No exame físico, o médico vai avaliar se a dismetria é funcional medindo pontos ósseos fixos e fazer o diagnostico diferencial com a discrepância estrutural através de exames por imagem, quando a pessoa possui mais de 2cm de diferença de comprimento entre as pernas é possível observar seu corpo desalinhado, quando o encurtamento é menor que 2 cm pode-se observar que uma perna é maior que outra quando a pessoa deita de barriga para cima e dobra as pernas, se observa que um joelho fica mais elevado que o outro.

Outra forma de medir o comprimento das pernas é usando uma fita métrica ou observando o nível do quadril ao colocar a pessoa sobre plataformas de madeira que medem de 1 a 5 cm de altura.

A perna curta tem cura e para que a pessoa possa ter as duas pernas com o mesmo comprimento deverá realizar o tratamento mais cedo possível, maiores serão as chances de cura, especialmente se o tratamento for iniciado na infância. 

Sessões de Fisioterapia para liberar a fáscia muscular, alongar os músculos encurtados, corrigir a escoliose, e diminuir a dor e o enfraquecimento muscular, o uso de uma palmilha que se coloca por baixo do calcanhar da perna mais curta para igualar a altura das duas pernas, esta palmilha deve ser colocada por dentro dos sapatos quando o encurtamento é de até 2 cm mas em diferenças de altura maiores pode-se usar sapatos feito sob medida, Sessões de RPG e PILATES que são muito eficazes no alinhamento de todo o corpo e conseguem curar a perna curta falsa.

Cirurgia para correção da perna curta, especialmente indicada em caso de perna curta verdadeira com mais de 2 cm. O médico poderá sugerir ainda outra cirurgia chamada epifisiodese que consiste em parar o crescimento da perna saudável. 

O autor é graduado em Fisioterapia pela Universidade Paulista Crefito-3/243875-f Especialista em Fisioterapia Geriátrica pela Universidade de São Carlos e Ortopedia. Atua em São Carlos.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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