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terça, 21 de janeiro de 2020
Entrevista

Caminhoneiro de Ibaté que foi sequestrado conta momentos de terror que passou nas mãos de bandidos

15 Out 2019 - 09h55Por Redação São Carlos Agora
Caminhoneiro de Ibaté que foi sequestrado conta momentos de terror que passou nas mãos de bandidos - Crédito: Arquivo Pessoal Crédito: Arquivo Pessoal

O motorista de caminhão Jovair Silveira Junior, o Juninho, compareceu na Delegacia de Polícia Civil na manhã desta segunda-feira, 14, para relatar os momentos de pânico e tensão que viveu em um cativeiro, sob a mira de armas de grosso calibre, após ter sido sequestrado.

Juninho contou que fez uma descarga na cidade de Santos e retornou na tarde de quarta-feira, 09, para Guarulhos, onde faria um carregamento para a cidade de Ponta Porã (MS). “Até então, o carregamento era de engradados de refrigerante. Assim que cheguei no local, fui abordado por dois indivíduos em um carro, que anunciaram o sequestro”, contou.

O caminhoneiro contou que foi feito refém e levado ao cativeiro, onde ficou de quarta até a sexta-feira (11), até que os criminosos pudessem utilizar o caminhão para transportar drogas até Ponta Porã, divisa com o Paraguai. “Eles me deixaram em cativeiro e usaram o meu caminhão para fazer esse transporte da carga de drogas, até Ponta Porã”, revelou.

“Faziam disparos de arma de fogo e pressão psicológica. Diziam que se alguma coisa ocorresse errado, eles iriam me eliminar. Eles diziam isso todo momento”

Juninho também contou que os quatro bandidos, fortemente armados, ficaram vigiando o cativeiro. “Horas eles estavam tranquilos, outras davam tiros e diziam que iam me matar e botar fogo, então, aquela tensão nesses três dias e três noites foi insuportável”, contou. “Faziam disparos de arma de fogo e pressão psicológica. Diziam que se alguma coisa ocorresse errado, eles iriam me eliminar. Eles diziam isso todo momento”, completou.

O motorista revelou que não sabia se sairia dali vivo. “O meu pensamento era só na minha família, no meu filho… e não dava para ter uma certeza se realmente eu sairia vivo ou eles me matariam. O propósito deles era entregar a droga e se alguma coisa desse errado, provavelmente, eles teriam me matado”, conta. “A tensão desses dias e a pressão psicológica foi terrível. Para falar a verdade, depois das 24 horas eu achei que não retornaria mais para casa”, afirmou.

“A tensão desses dias e a pressão psicológica foi terrível. Para falar a verdade, depois das 24 horas eu achei que não retornaria mais para casa”

O caminhoneiro explicou que na sexta-feira, por volta das 18 horas, os bandidos disseram que ele seria libertado. “Eles falaram que me liberariam na rodovia. Quando a gente montou no carro de volta, eles seguiram viagem para dentro de uma mata. Aí a tensão foi pior, porque eu pensei, poxa esses três dias de sofrimento e agora eles vão me matar aqui nesse matagal”, disse.

Juninho revelou que os bandidos entraram numa rua escura e abriram a porta do carro, o mandando descer e sair caminhando. “Graças a Deus, deu tudo certo”, agradeceu.

O motorista revelou que o mais emocionante foi reencontrar a família e agradeceu todas as pessoas que torceram para que tudo terminasse bem. “Para mim, agradecer uma, duas ou dez pessoas, seria até ingrato de minha parte, porque a cidade de Ibaté foi muito acolhedora. Queria agradecer, realmente, a toda cidade, todo mundo se prontificou a me ajudar. Meu agradecimento vai para minha família, lógico, mas para toda a cidade porque foi uma mobilização, que me deixou comovido”, disse.

Juninho relatou que agora vai dar uma respirada e ter um pouco mais de cautela, de cuidado, porém, como trabalhador, terá que voltar e continuar a caminhada da vida. “Erguer a cabeça e continuar a trabalhar, que é o que a gente sabe fazer”, afirmou.

Testemunhei para minha família e aos meus amigos, que a vida e a morte é questão de segundo. Em um segundo eu poderia estar morto e em um segundo estou vivo”

O caminhoneiro finalizou dizendo que a vida não tem preço. “Testemunhei para minha família e aos meus amigos, que a vida e a morte é questão de segundo. Em um segundo eu poderia estar morto e em um segundo estou vivo, então, para que a gente possa refletir um pouco mais sobre o valor de tudo, é que vale a pena viver! Os bens materiais que a gente conquista e luta, faz parte da vida diária de um trabalhador, porém, o mais importante é viver. Passei dias ali que eu não sabia se eu voltaria para família, não sabia se eles me matariam ou não. O que tenho para declarar para todo mundo é que a vida é questão de segundo. Em um segundo você vive e em um segundo você pode estar morto”, finalizou.

(Região em Destake)

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