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terça, 24 de novembro de 2020
Polícia

Vítima de assalto relata os momentos de terror que passou na mão dos bandidos

11 Fev 2009 - 14h31Por Redação São Carlos Agora
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Bandidos que tiveram participação no assalto presos pela Polícia Militar, na última segunda-feira.Rodrigo (nome fictício) de 32 anos, uma das vítimas do assalto ocorrido contra uma residência no bairro Cidade Jardim, no último sábado (7) contou a nossa reportagem cada minuto vivido durante a ação dos bandidos. Além dele, outras duas jovens também permaneceram reféns. Os três autores foram presos nesta segunda-feira (9) pela Polícia Militar. Confira a narração da vítima.

Era por volta, das 23h30, quando eu e minha namorada, Camila (nome fictício) recebemos uma ligação da Hellen (nome fictício) pedindo uma carona para irmos juntos até uma boate no shopping. Quando chegamos a casa, ela ainda não estava pronta, então parei o carro em frente à garagem para entramos. Quando o portão automático foi aberto, já apareceram dois homens encapuzados e armados. Um deles já foi me dando coronhadas na cabeça e o outro foi empurrando todo mundo lá para o fundo. A todo o momento eles ficavam perguntando onde era o cofre. Eu não tinha idéia de nada. Acharam que eu morava lá. Em seguida, me jogaram no chão e passaram a amarrar minhas mãos e pés com fita adesiva. Fiquei de bruços e a Camila ao lado. Depois me amarram junto com ela.

Antes de apanharam meus objetos pessoais, eles me bateram muito. Eu cheguei a pensar em ficar com um celular no bolso para poder ligar para a Polícia depois que eles saíssem, mas acho que Deus me fez entregar os dois. Assim que ele pegou o aparelho que estava no meu bolso, ele tocou. Acho que tive sorte, pois se tocasse antes, poderia apanhar mais ou até mesmo tomar um tiro.

Quando um dos bandidos tirou a carteira do meu bolso, ele percebeu que não havia dinheiro, passou a me torturar ainda mais. Ele me xingou de vagabundo e com a arma ficou forçando minha têmpora e pressionando meu crânio contra o chão.

Após 15 minutos, que eles perceberam que o cofre estava vazio, falaram que iriam esperar a mãe da Hellen, que estava para chegar. Eles acreditavam que ela poderia ter algum dinheiro. Um dos assaltantes disse que quando a mulher chegasse e eu fizesse algum barulho, eles colocavam uma “azeitona” em minha cabeça. Nesse ponto, já não sentia mais as mãos, pois as fitas adesivas estavam apertando cada vez mais.

Na seqüência, eles foram para cima da Camila perguntando sobre dinheiro. Ela disse que a bolsa estaria no interior do carro. Neste momento, o bandido pegou a chave que era do meu carro e perguntou se a mesma era do veículo Strada que estava parado na porta. Eu disse que sim, e ele respondeu: “Ainda bem, porque é nele que vamos vazar”. Neste instante, ele me deu outra pancada.

O bandido que foi pegar o carro lá fora, colocou ele dentro da garagem para não atrapalhar a entrada da mãe da Hellen. Na volta, ele começou a xingar a Camila, pois na bolsa dela havia pouco dinheiro.

Em seguida, um dos bandidos ficou vigiando eu e a Camila, enquanto o outro foi com a Hellen procurar por objetos de valor na casa. Ficamos por mais de meia-hora ouvindo eles revirarem a casa. Todas as vezes que eles tinham que falar alguma coisa, éramos agredidos a coronhadas.

Em determinado momento, um deles veio até a Camila e passou a chamá-la de “gostosa” e começou a passar a mão em suas nádegas.

Na seqüência, o telefone celular de um deles tocou e ao desligar, o marginal disse ao comparsa que em 5 minutos eles iriam “cair fora”. Foi um grande alivio, porque percebi que eles não iriam esperar a mãe da Hellen.

Logo depois, eles começaram a carregar a caçamba da Strada, com várias bebidas e os objetos roubados da casa. Eles saíram e fecharam o portão.

Quando percebi que eles haviam deixado a casa, comecei a tentar me soltar e depois de 5 minutos consegui. Em seguida, soltei a Camila e a Hellen. Minhas mãos estavam roxas e doendo. Não consegui usar os telefones da casa, pois eles arrancaram as baterias. Então pulei o portão e fui ligar para a Polícia, que chegou muito rápido. Passamos a noite da delegacia registrando o boletim de ocorrência e por volta das 8h cheguei em casa e meia-hora depois o meu telefone tocou. Eram policiais dizendo que o meu veículo havia sido localizado em um canavial. No carro, eles deixaram os documentos da Camila e nem o som levaram.

A casa da Hellen ficou toda bagunçada. Arrancaram todas as gavetas e espalharam tudo pela casa. Eles levaram computadores, jóias e roupas.

Rodrigo reconheceu na última segunda-feira (9) o seu celular, que estava com o trio preso por policiais militares na avenida Comendador Alfredo Maffei, defronte ao SESC.
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