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segunda, 01 de março de 2021
Polícia

Vendedor se passa por policial, extorque professor e acaba preso ao tentar receber R$ 10 mil

13 Abr 2016 - 08h44Por Pedro Maciel
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Na noite desta terça-feira, 12, o vendedor R.P. S., 43, foi encaminhado ao Centro de Triagem de São Carlos, após ter sido preso em flagrante pelo crime de tentativa de extorsão contra um professor substituto de 25 anos, que no primeiro semestre de 2015, esteve lecionando em uma escola da região central de São Carlos, onde teria conhecido uma menina de 14 anos e após troca de mensagens pelo whatsapp teriam se encontrado algumas vezes, mas segundo o professor não teria ocorrido qualquer relacionamento entre ele e a garota.

RELACIONAMENTO

Na manhã de segunda-feira, por volta das 9h, o vendedor R.P.S., 43, compareceu ao prédio do 1º Distrito Policial e ao ser atendido por um escrivão policial relatava que a filha de 14 anos teria se relacionado com um professor no ano passado em uma escola estadual. A partir daí o professor que seria um substituto teria mantido um relacionamento mais íntimo com sua filha e exigia providências da polícia.

Por se tratar de um caso em que a vítima seria menor de idade, o policial ligou na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e relatou o fato, orientando o vendedor a comparecer com a filha no prédio da delegacia para que as providências fossem tomadas e o caso investigado. O vendedor agradeceu e deixou o prédio dizendo que seguiria para DDM, o que foi apurado posteriormente que o mesmo não compareceu para registrar a suposta violência contra a filha.

EXTORSÃO

Ainda na segunda-feira, por volta das 12h40, compareceu ao 1º DP o professor J.M.T., 25, que disse ao delegado Maurício Antônio Dotta e Silva, que estaria recebendo ligações estranhas em seu celular e que por volta das 10h25 daquele dia teria recebido uma ligação de um suposto policial civil, que em tom ameaçador exigia que ele deveria arranjar até às 15h R$ 20 mil em dinheiro para que a família da adolescente que foi sua aluna não registrasse uma ocorrência na Polícia Civil e se caso não aceitasse a proposta o falso policial arrumaria uma prisão preventiva, pois já teria descoberto que o mesmo estaria mantendo relacionamento sexual com a menina.

O homem que se dizia ser policial civil disse ainda que os familiares encontravam-se enfurecidos com tal situação. Apavorado com a extorsão o professor disse ao homem que não teria este dinheiro e precisaria recorrer a amigos e parentes e não poderia conseguir naquela tarde. Temendo por sua vida o professor pediu um tempo que não era aceito pelo policial e desta forma o professor relatou sua história ao delegado.

FALSO POLICIAL CIVIL 

Diante da denúncia, Dotta e Silva comunicou o fato ao Delegado Seccional de São Carlos, Rogério Fakany Vitta e determinou que seus policiais descobrissem quem seria o policial e se realmente existisse o mesmo deveria ser identificado e encaminhado para aquela delegacia para providências cabíveis. Um dos investigadores através de um sistema de rastreamento do aplicativo whatsapp conseguiu identificar o telefone da pessoa que dizia ser policial e ao abrir a página do desconhecido um dos escrivães reconheceu o vendedor e descobriu que ele estava se passando por policial.

Por volta das 15h de segunda-feira o acusado ligou de outro celular ao professor que ainda estaria no interior do 1º Distrito Policial. Os policiais acompanharam a conversa e orientaram o professor a marcar um encontro com o falso policial que exigia o pagamento de R$ 20 mil.

PRISÃO

Na manhã de terça-feira, agindo no mais absoluto sigilo Dotta e Silva e seus policiais por volta das 10h25, se reuniram com o professor e aguardaram a ligação do falso policial  que ocorreu por volta das 11h. O local marcado para a entrega do dinheiro foi o ponto de ônibus interno da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), próximo a portaria de entrada e saída de veículos.

Os policiais do 1º Distrito Policial foram colocados em pontos estratégicos e o professor no ponto de ônibus. Minutos após o vendedor que sabia do traje do professor passou pelo local e temendo por ser descoberto, ligou novamente ao professor ordenando que ele saísse a pé do ponto de ônibus e caminhasse até um ponto da rua Professor José Ferraz de Camargo, na Vila Marina, a cerca de 150 metros da UFSCar, onde iria parar o veículo e o professor entregaria o dinheiro.

Sem saber que estava sendo monitorado por policiais civis, R., sempre identificando-se por policial dirigindo seu veículo passou pelo ponto de ônibus, seguiu até a região da 1ª Companhia da Polícia Militar e regressou para receber o montante da extorsão. O vendedor ainda em seu veículo foi cercado por viaturas e policiais civis que o prenderam. Ele foi revistado e não portava qualquer arma de fogo. R.P.S., 43, foi encaminhado ao 1º DP, onde foi ouvido por várias horas na presença de seu advogado Vegler Luiz Mancini Matias e negou que teria extorquido o professor e que se passava por policial civil.

Falando à reportagem do São Carlos Agora, o advogado disse que seu cliente foi ao encontro do professor, pois não o conhecia pessoalmente e queria saber quem seria o homem que teria se relacionado com sua filha de 14 anos. Já o delegado Dotta e Silva apreendeu dois celulares que eram utilizados pelo vendedor que os utilizavam para ligar ao professor e um celular que seria da filha dele, cuja menina somente por volta das 18h30, foi apresentada pelo advogado ao delegado que a ouviu e já pela noite desta terça-feira, o vendedor foi autuado em flagrante por ter infringido o artigo 158  (Extorsão) do Código Penal Brasileiro e posteriormente sob escolta policial foi encaminhado ao Centro de Triagem de São Carlos, onde ficará preso aguardando as providencias da Justiça Criminal de São Carlos. 

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