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segunda, 19 de outubro de 2020
Polícia

Aposentado foi agredido, dopado e teve pedaço da orelha cortada antes de morrer

29 Out 2009 - 19h44Por Redação São Carlos Agora
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Gallo foi vítima de uma trama macabraA Delegacia de Investigações Gerais (DIG) esclareceu com sucesso nesta quinta-feira (29) a morte do funcionário público municipal aposentado José Benedito Gallo, de 74 anos, que foi achado agonizando no sábado (17) em uma mata na represa do 29. Ele foi vítima de quatro mulheres de programa, que resolveram deixá-lo no local após roubarem o seu dinheiro e realizar saques e compras com o seu cartão de crédito. O aposentado foi brutalmente espancado e teve uma das orelhas cortadas pelo amásio de uma das acusadas para revelar a senha do cartão. Ele foi mantido em uma casa por três dias a base de altas doses de calmantes, quando começou a passar mal e foi levado até a represa, onde foi abandonado e localizado no sábado por um casal. Ele chegou a ser medicado no Pronto Socorro da Avenida, na Santa Casa de São Carlos, mas morreu na noite da última sexta-feira (23) devido a uma hemorragia estomacal. A família está revoltada, pois considera um absurdo o fato do aposentado não ter recebido atendimento médico adequado. No dia da morte, eles tentaram acionar o SAMU 192 por várias vezes, mas sem sucesso. A Unidade de Resgate foi até o apartamento da vítima e constatou o óbito.




Desaparecimento

OSão Carlos Agoraacompanhou de perto este caso e apurou que por volta das 15h do dia 12 deste mês, Gallo, após brigar com a mulher deixou a residência e desapareceu.

No dia seguinte, segundo declarações de Valdineide CO e Gilmara CS, duas das quatro acusadas pelo crime, o aposentado foi abordado por elas na região da baixada do mercado. Elas o envolveram em uma conversa e pediram para que ele pagasse um suco. Gallo aceitou e todos foram para uma lanchonete nas proximidades. Neste local a vítima abriu a carteira e as mulheres perceberam que ele tinha certa quantia em dinheiro e propuseram um programa sexual ao aposentado, o que supostamente foi aceito por ele.

Valdineide e Gilmara então ligaram para Sonia MS e pediram para que ela fosse buscá-las com o seu veículo no Centro da cidade.

Em seguida todos foram para a casa de Valdineide, na Rua Riskala Hadad, no Santa Felícia. Na residência, elas vasculharam a carteira de Gallo e acharam um extrato bancário com o valor de aproximadamente R$ 2,5 mil. Na sequencia, as mulheres ligaram para mais duas amigas, Sônia MS e Daniela CB e as convidaram para participar de um plano para roubar o dinheiro do aposentado.

As acusadas tentaram de todas as formas obterem a senha do cartão da vítima, porém como não conseguiram resolveram mudar de tática e chamaram o amásio de Sônia, Claudemir de SN, de 34 anos. Ele foi até a residência onde o grupo estava e passou a espancar brutalmente Gallo. Com uma faca ele cortou um pedaço da orelha do aposentado.

Temendo pela sua vida, o aposentado passou a senha do seu cartão para as mulheres que foram até a agência bancária onde ele possui conta e realizaram um saque. Como o sistema não permite saques bancários acima de R$ 600 em caixas eletrônicos, o bando passou a efetuar compras em açougues, farmácias e sacolões. Contudo, ainda restou um saldo na conta do aposentado.

Querendo sacar todo o dinheiro as mulheres retornaram para a residência onde o aposentado era mantido refém e tomaram a decisão de dopá-lo com altas doses de calmante para que ele não deixasse o local e acionasse a Polícia enquanto todo o dinheiro não era retirado.

Segundo a delegada Denise Gobbi Szakal, a primeira dose foi cavalar. “A dose comum seria 0,5 miligramas e elas deram 100 miligramas para ele (vítima)”, disse ela.

Em seguida, Gallo começou a passar mal e vomitou sangue, mas mesmo assim o grupo obrigava o aposentado a ingerir mais medicamentos.

Enrolado em um cobertor

Após passar três dias em posse do grupo, na tarde do dia 15, as mulheres decidiram levar o aposentado até a represa do 29. Elas o enrolaram em um cobertor e o colocaram no porta-malas do Corsa, branco, placas de São Carlos pertencente à Sônia.

A vítima foi deixada desacordada devido aos medicamentos em meio a uma mata. Em seguida as mulheres fugiram.

Gritos de socorro

No dia 17, dois dias após ser deixado na represa do 29, Gallo passou a retomar a consciência e passou a pedir por socorro. Um casal que fazia churrasco nas proximidades ouviu e o socorreu até o Pronto Socorro da Avenida.

A região do nariz e boca do aposentado estava tomada por larvas por causa do tempo que ele ficou desmaiado e exposto em meio a mata. Mais tarde ele foi transferido para a Santa Casa da cidade, onde foi atendido e liberado.

Neste mesmo dia, familiares do aposentado estiveram no plantão policial registrando o desaparecimento dele.

Identificação do grupo

A partir deste momento, os policiais do 1º DP da Vila Nery e DIG passaram a investigar o caso e chegaram a ouvir Gallo, que deu a sua versão. Com a autorização da família eles obtiveram o extrato bancário da vítima e perceberam que haviam sido realizadas várias compras em diversos estabelecimentos da cidade. Em um deles a Polícia conseguiu as imagens do circuito interno de segurança e identificou duas das acusadas. A partir daí todo o grupo foi identificado e todas confessaram a participação no crime. Somente Claudemir está foragido e a sua prisão temporária já foi decretada.

A morte

Segundo familiares, Gallo foi medicado algumas vezes e sempre recebia alta e retornava para casa. Na noite da última sexta-feira, ele não resistiu e acabou falecendo.

Quando percebeu o pai estava passando mal, a filha tentou ligar para o SAMU 192, mas segundo ela, ninguém atendida. “Foram inúmeras ligações e nenhuma delas foi atendida”, disse a mulher.

Desesperada ela ligou para o Corpo de Bombeiros que orientou que ligasse novamente para o SAMU 192, porém mais uma vez não foi atendida. Ela retornou a ligação aos Bombeiros, que enviaram uma Unidade de Resgate ao local, porém infelizmente Gallo já estava morto.

Latrocínio, formação de quadrilha e cárcere privado

Com as acusadas identificadas e detidas, os delegados Geraldo Souza Filho e Denise Gobbi Szakal pediram a prisão temporária de Valdineide, Gilmara, Sônia e Daniela. Elas deverão ser enquadradas nos crimes de latrocínio, formação de quadrilha e cárcere privado. A pena para estes casos varia de 20 a 30 anos. Quando encontrado, Claudemir deve ser autuado nos mesmos crimes.

As acusadas estão presas na cadeia feminina de Ribeirão Bonito a disposição da Polícia Civil.

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