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Em São Carlos, Benedito Mariano, ex-ouvidor das polícias chama Tarcísio de "desastre" na segurança

16 MAI 2026 • POR Da redação • 09h20
O especialista em segurança, Benedito Mariano: "o Derrite trocou quase 50% dos coronéis da PM de um dia para o outro; udo que falarmos sobre segurança na gestão Tarcísio tem características de crise" - divulgação

Com vasta carreira em segurança pública, o cientista social e ex-ouvidor das policias de São Paulo, Benedito Mariano, esteve na cidade nesta sexta-feira em entrevista ao SÃO CARLOS AGORA, afirmou que a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem sido “desastrosa” e culpa, além do próprio chefe do Executivo, o ex-secretário Guilherme Derrite.

Mariano é um dos pensadores que está formulando o Plano de Governo do pré-candidato ao governo paulista pelo PT, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. “A minha avaliação é de que vivemos uma grave crise na segurança pública no Estado de São Paulo. Os principais problemas são o envolvimento de policiais militares e civis com o crime organizado, o aumento do feminicídio, o sucateamento da Polícia Civil e o aumento da letalidade policial. Estes quatro pontos revelam a política desastrosa de segurança comandada pelo governador Tarcísio de Freitas, mas mostram principalmente os resultados das atitudes tomadas pelo seu ex-secretário de Segurança Pública e hoje deputado federal, tenente Guilherme Derrite”, destaca.

Mariano afirma que há possibilidade de Derrite ter promovido uma matança no litoral paulista com execuções sumárias de cidadãos. “Uma das marcas de Derrite na Baixada Santista vitimou cerca de 84 pessoas, com características de Operação Vingança. Há indícios de que as pessoas não foram mortas em confronto. Numa ação de confronto entre o agente do Estado e uma pessoa cometendo ato delituoso, é legítimo o policial defender sua vida e a sociedade. Mas, sem confronto, não se justifica a morte e ganha características de ilegalidade”, comenta.

O especialista ressalta que, sob o comando de Derrite, parecia haver uma liberdade para a ação truculenta e violenta dos policiais. “Me lembro de uma ocorrência em que um policial, que estava fazendo uma abordagem simples de trânsito, jogou uma pessoa de uma ponte no rio. Uma coisa absurda. Quem joga um cidadão de uma ponte em um rio por uma eventual infração de trânsito tem mais característica de milícia do que de polícia. Então, o Derrite deu uma contribuição para a maior Polícia Militar do país. Eu conheço bem a PM paulista e também a Polícia Civil e a Polícia Científica. Há uma crise na Polícia Militar hoje porque o Derrite trocou quase 50% dos coronéis da PM de um dia para o outro. Tudo o que falarmos sobre segurança na gestão Tarcísio tem características de crise”, conclui.

Benedito Mariano possui graduação em Sociologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1991) e mestrado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1995).

Foi diretor-secretário do Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo. Nomeado o primeiro ouvidor das polícias do Estado de São Paulo, foi novamente nomeado para o cargo em outro mandato. Foi também secretário municipal de Segurança Pública das prefeituras de São Paulo, Osasco e São Bernardo do Campo. Também atuou como membro do Conselho Nacional de Segurança Pública.

Mariano também trabalhou como professor da disciplina Sociologia do Direito e Antropologia no Centro Universitário (Unifieo), de Osasco. Ainda desenvolveu atividades como assessor parlamentar da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, no gabinete da deputada estadual Isa Penna. Foi professor colaborador da Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA), secretário municipal de Segurança Cidadã de Diadema e coordenador do Núcleo de Segurança Pública na Democracia do IREE.