“Diga sim. Doe órgãos. Doe vida”: morador de São Carlos relata luta e renascimento após transplante de fígado
15 MAI 2026 • POR Jéssica C.R. • 14h22O engenheiro civil Edson Gonçalves, de 53 anos, morador de São Carlos, transformou sua história de dor, esperança e superação em uma mensagem de conscientização sobre a importância da doação de órgãos.
Em abril de 2021, Edson recebeu o diagnóstico de cirrose criptogênica, uma doença hepática sem causa definida. A partir daquele momento, sua vida mudou completamente.“Foram quase três anos aguardando pelo transplante de fígado. Dias difíceis, marcados pelo avanço da doença, sintomas intensos, infecções, internações e inúmeras idas ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto”, relata.
A espera pelo órgão foi longa e cercada de incertezas. Quando finalmente recebeu a ligação informando que havia surgido um fígado compatível, o sentimento foi uma mistura de esperança, medo e alegria.
O transplante aconteceu em 24 de janeiro de 2024, no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, em uma cirurgia que durou cerca de 12 horas. Segundo Edson, logo após o procedimento, o médico responsável pela equipe de transplante hepático, Dr. Ajith Kumar, informou à família que o quadro era extremamente grave.“O médico disse que eu tinha poucos dias de vida, devido às condições do meu órgão e à percepção clínica da equipe”, conta.
Após um período delicado de recuperação, Edson conseguiu voltar para casa e hoje leva uma vida praticamente normal. Embora precise tomar medicamentos imunossupressores continuamente e manter cuidados médicos permanentes, ele retomou sua rotina, voltou a trabalhar, pratica atividades físicas diariamente e recuperou a qualidade de vida.“Tudo isso só foi possível graças ao ‘sim’ de alguém que decidiu doar seus órgãos e à família que respeitou esse desejo, mesmo em um momento de dor”, destaca.
Edson também faz questão de agradecer ao doador, à família dele, à equipe médica, ao hospital e ao Sistema Único de Saúde (SUS), que possibilitou o tratamento.“Sou profundamente grato ao meu doador, à família dele, a toda a equipe que torna os transplantes possíveis, ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e ao SUS, que me deu a oportunidade de continuar vivendo.”
Agora, ele usa sua experiência para alertar a população sobre a necessidade da doação de órgãos no Brasil.“A demanda por órgãos é muito grande. Infelizmente, muitas pessoas não conseguem esperar pelo transplante e acabam não resistindo. Por isso, é fundamental conscientizar as pessoas sobre a importância da doação de órgãos.”
Edson encerra com um apelo simples, mas carregado de significado:
“Todos podem ser doadores. Basta comunicar sua família. Diga sim. Doe órgãos. Doe vida.”