Eleições 2026

Marcelo Barbieri vai coordenar PDT no Estado de São Paulo

A mudança partidária contou com a articulação do ex-prefeito de Araraquara e atual presidente nacional do PT, Edinho Silva

9 MAI 2026 • POR Da redação • 16h30
O ex-prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi - divulgação

O ex-prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri, será o coordenador estadual do PDT de São Paulo nas eleições de 2026. O planejamento foi debatido nesta quarta-feira, 6 de maio, em reunião com o presidente nacional do partido, Carlos Lupi.

O ex-prefeito de Araraquara e ex-deputado federal Marcelo Barbieri deixou de lado meio século de militância no MDB e oficializou sua filiação ao PDT. A decisão marca um dos capítulos mais simbólicos da política regional e tem como pano de fundo o realinhamento do MDB paulista em direção ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), movimento que desagrada lideranças históricas identificadas com o campo progressista da sigla.

Barbieri, que se filiou ao então Movimento Democrático Brasileiro em 1976, construiu toda a sua trajetória pública sob a legenda. Foram três mandatos consecutivos como deputado federal (1991-2003), dois mandatos como prefeito de Araraquara (2009-2016), além de cargos na estrutura nacional do partido — incluindo a presidência em exercício da Executiva Nacional do então PMDB em 1998. Ainda em março de 2026, semanas antes da desfiliação, ele havia sido homenageado nas comemorações dos 60 anos do MDB na Câmara dos Deputados, em Brasília.

A mudança partidária contou com a articulação do ex-prefeito de Araraquara e atual presidente nacional do PT, Edinho Silva, o que reforça a leitura de que a saída de Barbieri está diretamente ligada ao xadrez eleitoral de 2026.

Em declarações à imprensa regional, o ex-prefeito não escondeu o desconforto com os rumos do partido em São Paulo. “Eu estou há mais de 50 anos no MDB e eu acho que o MDB está tomando rumos que eu respeito, mas eu não sou obrigado a concordar. Eu me fiz no MDB na luta democrática, na luta pela democracia, na luta por princípios que foram norteando a ação do MDB na Constituinte de 1988. Eu me elegi em 90, me reelegi em 94, 98 e 2002, sempre me pautando por princípios que eu sempre segui, inclusive como prefeito da mesma forma”, afirmou.

Barbieri prosseguiu: “Eu não sou obrigado a ir nesse rumo, eu preciso encontrar o meu rumo. Aquela frase antiga, ‘os incomodados que se mudem’, e eu estava incomodado com a forma como o MDB está indo em São Paulo e eu optei por buscar outro caminho”, declarou.

Apesar da ruptura, o ex-prefeito continua respeitando o antigo partido. “Tenho muito respeito pelo MDB, pela história do MDB, que é a minha história. O MDB foi fundado em 1966. Eu tinha 10 anos. Eu nasci em 1956. Eu me filiei em 1976 e eu estou me desfiliando em 26. Foram 50 anos, eu tenho orgulho dessa história e eu agora estou me desfiliando. Eu tenho muito orgulho dessa história, mas agora eu preciso buscar outro caminho”, concluiu.

O incômodo de Barbieri ganha contexto quando se observa o movimento recente do MDB paulista. No final de março, o vice-governador Felício Ramuth deixou o PSD e se filiou ao MDB para reeditar a chapa com Tarcísio de Freitas na disputa pela reeleição em 2026. A filiação foi articulada pelo presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, pelo presidente estadual Rodrigo Arenas e pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.