Pesquisa avalia como pais orientam seus filhos em relação à mentira
Estudo considera tipos de mentiras e diferenças culturais e convida pais e mães para responderem a questionário online
6 MAI 2026 • POR Assessoria de Imprensa • 17h20Quando mentir para os filhos é aceitável? Essa é a pergunta que guia um estudo na área da Psicologia da UFSCar que busca investigar como os pais avaliam e orientam seus filhos em situações do dia a dia que envolvem diferentes tipos de mentira. Para isso, o estudo convida pais e mães para responderem a um questionário online.
"Pesquisas indicam que diferentes culturas e estilos parentais influenciam a forma como as crianças avaliam moralmente as mentiras", explica Leticia Amanda Rodrigues, estudante de Psicologia na UFSCar, responsável pelo trabalho.
Diferentes culturas
"De modo geral, podemos distinguir entre mentiras antissociais, que visam benefício próprio ou evitar punições, por exemplo, quando a criança quebra um objeto e nega para não ser castigada, e mentiras pró-sociais, que têm a intenção de proteger sentimentos ou manter relações sociais, como quando a criança diz que gostou de um presente mesmo não tendo gostado, porque aprendeu que isso é mais educado", detalha Amanda Rodrigues.
"Estudos transculturais mostram que crianças de sociedades consideradas coletivistas tendem a avaliar de forma mais positiva as mentiras pró-sociais em comparação com crianças de sociedades mais individualistas, como os Estados Unidos", exemplifica.
Estilos parentais
Além disso, a pesquisadora explica que estilos parentais distintos também impactam essas avaliações morais, influenciando tanto o julgamento quanto o comportamento das crianças. "Nesse sentido, minha pesquisa busca investigar como pais brasileiros avaliam e orientam seus filhos em relação à diferentes tipos de mentira, considerando que o Brasil apresenta características culturais próprias, não sendo facilmente classificado como totalmente individualista ou coletivista, e valorizando fortemente as relações interpessoais e a preservação dos sentimentos alheios".
Interesse no tema
A pesquisadora relata que o comportamento de mentir tem sido amplamente estudado pela Psicologia do Desenvolvimento, tanto por sua relação com o desenvolvimento moral quanto com importantes marcos cognitivos na infância. "Entre esses marcos, destaca-se a Teoria da Mente que se refere à capacidade de compreender os estados mentais de outras pessoas, e as funções executivas, como o controle inibitório, que permite à criança controlar o impulso de dizer a verdade e regular suas emoções ao sustentar uma informação que sabe não ser verdadeira".
Foi a partir desse contexto que surgiu, segundo ela, o interesse em investigar como esse comportamento é compreendido no contexto brasileiro.
Como participar
A participação é simples, rápida - cerca de 15 minutos - e totalmente online; basta acessar e preencher o questionário disponível em https://forms.gle/dCxaYZeVZFTudGft7.
O estudo
A pesquisa, intitulada "Quando mentir é aceitável? Atitudes parentais sobre o comportamento de mentir em crianças", está vinculada ao grupo de pesquisa Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Sociocognitivo e da Linguagem (GPDeSOL) e tem orientação da professora Débora de Hollanda Souza, do Departamento de Psicologia (DPsi) da UFSCar.
Dúvidas podem ser esclarecidas com a pesquisadora pelo e-mail leticia.amanda@estudante.ufscar.br ou WhatsApp (16) 981670520.
Projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (CAAE: 94713125.4.0000.5504).