Ciência, Tecnologia e Inovação: CEPIX – CEPOF – INCT – IFSC -USP desenvolve equipamento de baixo custo para compreender como a luz interage e se propaga na pele
26 ABR 2026 • POR Kleber Jorge Savio Chicrala • 07h00Entrevistado: Dr. Luismar Barbosa da Cruz Junior
Nos últimos anos, a tecnologia tem se consolidado como uma das principais aliadas da medicina contemporânea. Contudo, seu impacto não se restringe apenas ao uso de equipamentos sofisticados ou novas terapias. Na realidade, a aplicação da tecnologia na saúde tem transformado os processos de monitoramento, diagnóstico e tratamento de doenças, com consequências diretas na qualidade de vida dos pacientes. Nos laboratórios do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CEPOF) – CEPIX – INCT – IFSC – USP, coordenado pelo Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato e equipe de pesquisadores, as pesquisas e inovações são uma realidade constante e dinâmica.
A associação da tecnologia à saúde remete a diagnósticos rápidos ou tratamentos avançados. Equipamentos como oxímetros de pulso, sensores ópticos, tomografias e lasers são amplamente empregados para fornecer dados precisos em tempo real, permitindo aos profissionais de saúde realizar intervenções mais rápidas e assertivas. Um exemplo dessa transformação são os oxímetros de pulso, que, apesar de sua simplicidade, desempenham um papel importante ao medir rapidamente a saturação de oxigênio no sangue.
A ciência aplicada a esses dispositivos transcende a inovação tecnológica em si; ela busca solucionar problemas práticos enfrentados pelos profissionais da saúde, oferecendo tratamentos mais eficazes e com uma margem de erro reduzida. Este é um ponto de extrema relevância, especialmente em contextos clínicos críticos, onde um erro mínimo pode ser decisivo para a sobrevivência do paciente.
Outro fator importante dessa revolução tecnológica é a democratização do acesso a ferramentas de saúde. Equipamentos sofisticados nem sempre estão ao alcance de hospitais e clínicas com orçamentos limitados, especialmente em países em desenvolvimento. No entanto, inovações como a impressão 3D têm mostrado grande potencial não apenas para a criação rápida de protótipos a custos consideravelmente mais baixos. Um exemplo disso é o estudo realizado pelo Dr. Luismar Barbosa da Cruz Junior, que desenvolveu um equipamento de baixo custo para compreender como a luz interage e se propaga na pele em função da tonalidade da pele. O estudo demonstrou que, ao integrar a impressão 3D com processos de validação, é possível produzir dispositivos de alta qualidade, atendendo a exigências acadêmicas e clínicas, com custo acessível.
Enquanto os dispositivos de monitoramento continuam a aprimorar sua precisão, outro avanço está nas ferramentas de diagnóstico baseadas em inteligência artificial (IA). Algoritmos sofisticados, capazes de analisar exames de imagem, como radiografias e ressonâncias magnéticas, têm auxiliado médicos na detecção de doenças de forma mais eficiente e precisa. A IA, longe de substituir os médicos, atua como um assistente que pode aprimorar a precisão das análises e acelerar o processo de decisão. Em casos de câncer, por exemplo, onde o diagnóstico precoce é essencial, os algoritmos podem identificar padrões em imagens que, de outra forma, poderiam passar despercebidos, resultando em diagnósticos mais rápidos e, consequentemente, em tratamentos mais eficazes.
Segundo especialistas como o Dr. Luismar Barbosa da Cruz Junior, doutor em Física e especialista em instrumentação biomédica, a grande promessa das tecnologias aplicadas à saúde está na personalização. A compreensão das respostas individuais dos pacientes a diferentes tratamentos, seja pela intensidade de absorção de luz nos tecidos ou pela forma como o organismo processa medicamentos, possibilita a adaptação de tratamentos específicos para cada caso. Tecnologias como a tomografia de coerência óptica exemplificam essa personalização. Elas são capazes de examinar com detalhes as estruturas internas da pele, podendo proporcionar uma visão da condição do paciente e contribuindo para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes, com menor risco e maior benefício.
Entretanto, é importante destacar que, apesar dos avanços tecnológicos, os profissionais de saúde continuam sendo a peça fundamental no processo. A tecnologia, embora extremamente útil, não substitui a expertise clínica. Ela serve como uma ferramenta de apoio, oferecendo aos médicos e enfermeiros dados mais precisos e permitindo-lhes tomar decisões mais informadas. A verdadeira eficácia das tecnologias na saúde está na sinergia entre o conhecimento técnico e a experiência clínica.
A revolução tecnológica na saúde está apenas em seus estágios iniciais, e seu potencial é imenso. A personalização do atendimento, a criação de dispositivos mais acessíveis e a integração da IA nos diagnósticos são apenas alguns exemplos das mudanças que estão por vir. Cada avanço tecnológico, cada melhoria nos dispositivos existentes, representa um passo em direção a uma medicina mais precisa, segura e inclusiva.
O verdadeiro impacto dessas inovações, porém, reside em seu reflexo direto na vida dos pacientes. Ao proporcionar tratamentos mais rápidos e eficazes, ao criar ferramentas de alta qualidade a custos reduzidos e ao aprimorar a precisão nos diagnósticos, estamos não apenas avançando na saúde pública, mas também oferecendo um atendimento mais justo, eficiente e humano.
Fontes: Dr. Luismar Barbosa da Cruz Junior – Pesquisador do CEPIX – CEPOF – INCT – Grupo de Óptica – IFSC – USP; Prof. Dr. Vanderlei Salvador Bagnato – Coordenador do CEPIX – CEPOF – INCT – IFSC – USP – Membro do Grupo de Óptica; e Me. Kleber Jorge Savio Chicrala – Jornalismo Científico e Difusão Científica - CEPIX – CEPOF – INCT – Grupo de Óptica – IFSC – USP.