Para diretor do ParqTec, Brasil tem que ser protagonista no uso da IA
Cientista afirma que universidades de São Carlos vêm trabalhando muito para a aplicação desta ferramenta em prol de uma sociedade mais igualitária e democrática
25 ABR 2026 • POR Da redação • 15h41A inteligência artificial (IA) deve ser uma ferramenta dominada pelos cientistas brasileiros para que o país modernize seus processos, produtos e serviços, para ser protagonista na revolução tecnológica e utilizar isso em prol da melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro. A avaliação é do diretor da Fundação Parque de Alta Tecnologia (ParqTec), professor Sylvio Goulart Rosa Jr.
“A inteligência artificial está impactando em todas as nossas vidas. Está impactando individualmente, está impactando na economia e na relação entre os países. Isso afeta os meios de produção, de defesa, o cotidiano das pessoas, os serviços de educação e de saúde. Então, estamos vivendo literalmente uma revolução muito profunda e muito rápida. E como é que nós devemos nos preparar para isso? Este conhecimento tem que chegar para a população como um todo, não só para utilizar a inteligência artificial, mas também ensinar a programar e como se utiliza a inteligência artificial”, destaca Rosa Jr.
Quando é aplicada em prol do interesse público, a Inteligência Artificial pode se tornar uma aliada poderosa em desafios sociais complexos. O país já conta, inclusive, com iniciativas nacionais que integram a IA às políticas educacionais.
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA 2024–2028) prevê o uso de sistemas de tutoria inteligente em matemática, recursos adaptativos para alfabetização e ferramentas de monitoramento de trajetórias estudantis, sempre com o objetivo de apoiar professores e melhorar a aprendizagem.
No Estado do Piauí, a ferramenta foi incorporada à grade obrigatória do ensino fundamental, tornando o estado pioneiro no ensino de IA para crianças e adolescentes, em uma experiência reconhecida pela UNESCO como um avanço significativo para a educação do século XXI.
São exemplos simples que revelam que, quando conectada às necessidades reais das pessoas, a Inteligência Artificial tem o potencial de reduzir desigualdades e gerar valor social. O desafio, no entanto, é garantir que tais iniciativas não sejam exceção, mas parte de uma estratégia estruturada de inovação voltada ao bem comum.
DEMOCRATIZAÇÃO DA FERRAMENTA — Para o cientista, o perigo é que a IA se torne instrumento de dominação. “Temos que tirar proveito pleno desta nova ferramenta e torná-la acessível para as pessoas e empresas. Que esta nova tecnologia venha em benefício de toda a população e que não venha a promover exclusão como instrumento de poder para estratificar as pessoas em suas sociedades e que também não estratifique as relações entre as nações”.
O diretor do ParqTec enfatiza que as universidades de São Carlos vêm trabalhando há algum tempo na IA. “O Brasil tem uma grande oportunidade neste momento de não ficar para trás no uso desta ferramenta. Ela, a IA, deve ser utilizada para a geração de riqueza e de serviços que impactem de forma positiva toda a população. Em São Carlos, nós temos grupos fantásticos que vêm trabalhando nas universidades, tanto na USP quanto na UFSCar. Nosso ecossistema está se preparando para tirarmos proveito desta ferramenta. Não podemos ser apenas consumidores, mas também produtores, criando novos serviços, novos produtos e novos processos utilizando a IA”, destaca Rosa Jr.