Empresas terão crédito de R$ 15 bilhões e economista são-carlense comemora medida
Novo plano de socorro mira exportadores afetados por guerra e tarifas; região de São Carlos será beneficiada
25 ABR 2026 • POR Da redação • 15h39O governo federal anunciou no último dia 16 os setores econômicos que terão prioridade no acesso ao crédito de R$ 15 bilhões criado para atenuar os impactos da guerra no Oriente Médio e das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos (EUA).
A medida também apoia segmentos considerados estratégicos, que têm déficit na balança comercial, como indústria farmacêutica e tecnologia da informação, segmentos que têm forte representação em São Carlos. Os detalhes foram apresentados pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.
O economista são-carlense afirma que a medida chega na hora certa. “É uma boa notícia para as empresas afetadas pela tarifa imposta pelo governo dos EUA e pelas dificuldades de exportação para a região da guerra que acontece no Oriente Médio. Além disso, também beneficia setores estratégicos para o país, como empresas da área de saúde, medicamentos, químicos e de tecnologia da informação. Com juros mais baixos que os de mercado e prazos longos e com carência, deve aliviar um pouco a pressão sobre o capital de giro das empresas e também apoiar investimentos em ativos fixos para modernização das empresas”, destaca.
De acordo com ele, o crédito estará disponível não só para as empresas afetadas diretamente, mas também para fornecedores dessas empresas, pelo que se depreende da publicação do governo. “Trata-se de uma novidade boa para a nossa região, já que temos várias empresas industriais exportadoras e também da área do agronegócio afetadas pelas tarifas e guerra do Oriente. Esse financiamento de capital de giro deverá permitir uma ponte para as empresas atravessarem essa fase muito crítica para os negócios de exportação”.
BRASIL SOBERANO 2 - O novo plano de socorro, anunciado no mês passado, será operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). É uma segunda etapa do Programa Brasil Soberano, lançado em meados de 2025, destinado, à época, para as empresas exportadoras impactadas pelo tarifaço dos EUA.
As tarifas de 50% impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, acabaram sendo derrubadas por uma decisão da Suprema Corte do país, em outubro do ano passado. Elas acabaram sendo fixadas em 15% para todos os países que vendem aos EUA.
“São R$ 15 bilhões para apoiar quem foi afetado pelo tarifaço americano, quem está tendo dificuldade para exportar para o Golfo Pérsico e aqueles setores estratégicos, especialmente aqueles que têm um déficit na balança comercial. Saúde, TI e químico são os setores que têm um déficit maior na balança comercial”, ressaltou Alckmin.
A abertura das linhas será possível após o Conselho Monetário Nacional (CMN) ter aprovado, também nesta quinta-feira, resolução que definiu as condições para a oferta do crédito.
QUEM TEM DIREITO - Três grupos de empresas têm direito ao crédito, conforme a Portaria Interministerial publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No primeiro segmento, estão as empresas exportadoras de bens industriais e seus fornecedores afetados pelas medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos, cujo faturamento bruto com exportações representou 5% ou mais do valor apurado no período de doze meses entre 1º de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025.
As empresas mais atingidas são as da indústria do aço, cobre e alumínio, que pagam 50% de tarifas extras, e os setores de peças automotivas e de alguns tipos de móveis, que pagam taxa de 25% para vender aos norte-americanos.
No segundo grupo, foram incluídas as empresas de setores considerados estratégicos, pela relevância do uso de tecnologia e impacto da modernização produtiva do país, como os ramos têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, máquinas e equipamentos eletrônicos e de informática, além de borracha e minerais críticos.
No terceiro grupo, o governo incluiu as empresas exportadoras e seus fornecedores para os países da região do Golfo Pérsico, no Oriente Médio. O grupo inclui empresas brasileiras que vendem para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã, cujo faturamento bruto com exportações represente 5% ou mais do valor apurado no período de doze meses entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2025.
TAXAS E PRAZOS - As linhas de crédito são para financiar capital de giro; capital de giro destinado à produção para exportação; aquisição de bens de capital; e investimentos para ampliação da capacidade produtiva ou o adensamento da cadeia de produção, adaptação de atividade produtiva e inovação tecnológica ou adaptação de produtos, serviços e processos.
As taxas variam de 0,94% ao mês, para investimentos, até 1,28%, para capital de giro, no caso das contratações diretas com o BNDES.
Nas contratações indiretas, com outras instituições financeiras, essas taxas variam de 1,06% a 1,41%. As carências variam de 1 ano a 4 anos (investimentos), com prazos de 5 a 20 anos para quitação. (Com informações da Agência Brasil).