Debate na Câmara

Petrobras e revendedores negam responsabilidade por alta dos combustíveis

14 ABR 2026 • POR Da redação • 20h16
Bomba de Combustível - Tomaz Silva/Agência Brasil

Representantes da Petrobras e da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis (Fecombustíveis) afirmaram, nesta terça-feira (14), que não são os principais responsáveis pelos recentes aumentos nos preços dos combustíveis no país. As declarações foram feitas durante debate realizado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.

Durante a audiência, os participantes discutiram o desafio de equilibrar a livre concorrência com a proteção ao consumidor em um cenário de instabilidade econômica global, agravado por conflitos internacionais que impactam o mercado de petróleo.

Segundo o gerente de Previsão de Preços da Petrobras, Diogo Bezerra, a estatal representa apenas parte do valor final pago pelo consumidor. Ele explicou que, dentro do preço médio nacional da gasolina, estimado em R$ 6,77 por litro, cerca de R$ 1,80 corresponde à parcela da Petrobras. O restante inclui tributos federais e estaduais, custos da adição de etanol anidro e margens de distribuição e revenda.

O presidente da Fecombustíveis, James Thorp Neto, afirmou que os postos revendedores são o elo mais vulnerável da cadeia. De acordo com ele, os estabelecimentos apenas repassam os custos definidos pela distribuição e enfrentam despesas variáveis, como o preço do etanol e créditos de descarbonização. A entidade representa cerca de 40 mil postos em funcionamento no país.

A audiência também analisou os reflexos dos conflitos no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que vêm provocando instabilidade no mercado internacional e influenciando os preços da gasolina e do diesel no Brasil.

Dados apresentados durante o encontro mostram que, na última semana de fevereiro, antes do início do conflito, a gasolina custava em média R$ 6,28 por litro, passando para R$ 6,77 na semana passada. No mesmo período, o óleo diesel subiu de R$ 6,09 para R$ 7,58.

Participantes do debate defenderam ainda mudanças estruturais no setor energético, incluindo o fortalecimento da Petrobras e a revisão de políticas relacionadas à gestão de ativos estratégicos.

O presidente da Comissão de Finanças e Tributação destacou que o cenário internacional é preocupante e lembrou medidas adotadas pelo governo, como a redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel e a concessão de subsídios para conter a alta dos preços. Ele ressaltou, no entanto, que essas ações têm alcance limitado e que o setor exige maior transparência e fiscalização.

Fonte: Agência Câmara de Notícias