Pesquisa mostra que emprego com carteira assinada continua sendo o mais desejado
11 ABR 2026 • POR Da redação • 09h05Apesar da forte presença das redes sociais e do crescimento de novas formas de trabalho, o emprego com carteira assinada continua sendo a principal prioridade dos brasileiros na busca por uma vaga. É o que revela pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta o modelo formal, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como o mais atrativo para mais de um terço dos trabalhadores que procuraram emprego recentemente.
De acordo com o estudo, o acesso a direitos trabalhistas e à Previdência Social permanece como um diferencial importante, mesmo com o avanço de modalidades como o trabalho por aplicativos e outras formas flexíveis de atuação.
Segundo Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI, a valorização do vínculo formal ainda é significativa entre os trabalhadores.
“Embora novas modalidades de trabalho estejam crescendo, como aquelas vinculadas a plataformas digitais, o trabalhador ainda valoriza o acesso a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social, que continuam, portanto, sendo um diferencial relevante mesmo em contexto de maior flexibilização das relações de trabalho”, afirmou.
Principais números da pesquisa
- 36,3% preferem emprego com carteira assinada (CLT);
- 18,7% apontam o trabalho autônomo como melhor opção;
- 12,3% consideram o emprego informal mais atrativo;
- 10,3% têm interesse em trabalho por plataformas digitais;
- 9,3% preferem abrir o próprio negócio;
- 6,6% optam por atuar como pessoa jurídica (PJ);
- 20% não encontraram oportunidades atrativas.
Preferência entre jovens
Entre os jovens, a preferência pelo emprego formal é ainda mais evidente, refletindo a busca por segurança no início da carreira profissional.
- 41,4% dos trabalhadores de 25 a 34 anos preferem CLT;
- 38,1% dos jovens de 16 a 24 anos também priorizam o modelo.
Segundo Claudia Perdigão, o emprego formal oferece maior segurança para os jovens que estão iniciando a vida profissional e buscam estabilidade.
Renda complementar
O trabalho por meio de plataformas digitais, como motorista ou entregador de aplicativos, aparece majoritariamente como complemento de renda.
De acordo com o levantamento, apenas 30% dos entrevistados consideram essa atividade como principal fonte de sustento.
Alta satisfação no mercado de trabalho
O estudo também aponta um elevado nível de satisfação entre os trabalhadores, fator que ajuda a explicar a menor procura por novas oportunidades.
- 95% estão satisfeitos com o emprego atual;
- 70% se dizem muito satisfeitos;
- 4,6% estão insatisfeitos;
- 1,6% muito insatisfeitos.
Mobilidade profissional ainda é limitada
A movimentação dos trabalhadores em busca de novas vagas permanece relativamente baixa, segundo os dados da pesquisa.
- 20% buscaram outro emprego recentemente;
- 35% dos jovens (16 a 24 anos) procuraram nova vaga;
- 6% dos trabalhadores com mais de 60 anos fizeram o mesmo.
O tempo de permanência no emprego também influencia na busca por novas oportunidades.
- 36,7% com menos de um ano no trabalho buscaram nova vaga;
- 9% com mais de cinco anos na mesma função fizeram o mesmo.
O levantamento foi realizado pelo Instituto Nexus, em parceria com a CNI, e ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. A pesquisa foi conduzida entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025, sendo divulgada posteriormente.