Professores moçambicanos ministram aula sobre educação e colonialismo na UFSCar
10 ABR 2026 • POR Jessica CR • 21h10O Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal de São Carlos recebeu, no último dia 30 de março, dois professores moçambicanos para uma aula especial sobre educação e colonialismo em Moçambique. Participaram da atividade Abrão Camacho, da Academia Militar Samora Machel, e Teodósio de Jesus Cosme, da Universidade Licungo.
Durante a aula, os docentes abordaram aspectos históricos como a colonização portuguesa, o processo de independência de Moçambique, em 1975, e o período de guerra civil que se seguiu. Também destacaram avanços e desafios atuais do país, especialmente no que diz respeito à universalização do acesso à educação.
A atividade foi realizada a convite da professora Marisa Bittar, do Departamento de Educação (DEd) e do PPGE da UFSCar, e integrou a disciplina “Educação Brasileira”. A participação ocorreu de forma remota, já que os professores estavam em Campo Grande (MS), onde cursam doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, sob orientação da professora Marilena Bittar.
A aula será disponibilizada gratuitamente no Portal de Cursos Abertos (PoCA) da UFSCar.
Realidade educacional em Moçambique
Durante a exposição, os professores apresentaram características da colonização portuguesa, como a doutrinação religiosa e o modelo educacional voltado aos chamados “assimilados”. Também explicaram que, em Moçambique, o termo “indígenas” era utilizado para designar aqueles que não tinham acesso à escolarização formal.
Relatos pessoais deram dimensão às dificuldades enfrentadas. Um dos professores mencionou que, em sua comunidade, as aulas aconteciam sob uma árvore, enquanto outro relembrou que seu irmão ajudou a cortar madeira para a construção da escola onde estudava.
Eles ainda destacaram os desafios atuais para garantir alfabetização e acesso à educação pública para toda a população.
Comparações com o Brasil
Na condição de doutorandos no Brasil, os professores elogiaram o sistema educacional brasileiro, especialmente por seu caráter público e gratuito. Segundo eles, em Moçambique o ensino superior é pago e o ensino secundário não é totalmente gratuito.
Os docentes ressaltaram que o modelo brasileiro se destaca até mesmo em comparação com países mais desenvolvidos, ao oferecer educação gratuita até a pós-graduação, além de políticas de apoio como bolsas, merenda escolar, uniforme e material didático.
Integração e valorização da África
Ao final da aula, Marisa Bittar destacou a proximidade cultural entre Brasil e Moçambique, principalmente pelo compartilhamento da língua portuguesa, citando o escritor Fernando Pessoa: “Minha pátria é a Língua Portuguesa”.
A professora também enfatizou a importância da cooperação internacional com países africanos, alinhada às políticas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, que incentiva parcerias com nações da África, América Latina e Caribe.
Segundo ela, iniciativas como essa reforçam o compromisso da UFSCar com a internacionalização e a valorização das relações acadêmicas com países que compartilham laços históricos e culturais com o Brasil.