Tecnologia

Quase metade dos paulistas já usa inteligência artificial; jovens lideram avanço da tecnologia

Uso da IA cresce rapidamente em São Paulo e já faz parte do cotidiano de milhões; especialistas apontam nova mudança de paradigma no trabalho e na educação

7 ABR 2026 • POR Da redação • 08h08
Leandro Palmieri: "Na minha leitura, estamos vivendo um momento muito parecido com o início da internet. Quem entendeu cedo o potencial, construiu vantagem. Quem demorou, teve que correr atrás" - divulgação

Quase metade da população do Estado de São Paulo já utiliza ferramentas de inteligência artificial. Um levantamento inédito da Fundação Seade revela que 47% dos paulistas usam IA no dia a dia, principalmente para trabalho, lazer e estudos.

Os dados mostram que a tecnologia deixou de ser novidade e passou a integrar a rotina de milhões de pessoas — mas ainda de forma desigual entre diferentes grupos sociais.

Segundo Irineu Barreto, analista de pesquisas da Fundação Seade, fatores como idade, renda e escolaridade influenciam diretamente o uso dessas ferramentas.

“Os dados mostram que a inteligência artificial já faz parte do cotidiano de uma parcela significativa da população, mas seu uso ainda é bastante heterogêneo entre os diferentes grupos sociais”, afirma.

Jovens lideram uso da inteligência artificial

O estudo mostra que os jovens são os principais usuários da tecnologia.

Entre os paulistas de 18 a 29 anos, 74% já utilizam inteligência artificial, número bem acima da média geral.

O uso também é maior entre pessoas com maior renda e escolaridade:

Entre quem já utiliza inteligência artificial, os principais motivos são:

O uso para estudos é mais comum entre jovens, enquanto a aplicação profissional aparece com mais frequência entre adultos de 30 a 59 anos.

Mais da metade ainda não usa inteligência artificial

Apesar do crescimento acelerado, 53% da população ainda não utiliza inteligência artificial.

Os principais motivos apontados são:

Mesmo assim, a percepção geral sobre a tecnologia é positiva.

O levantamento aponta que:

Esse cenário mostra que a população reconhece tanto as oportunidades quanto os riscos trazidos pela nova tecnologia.

A pesquisa ouviu 4.101 pessoas e foi realizada em dezembro de 2025 por meio de coleta remota utilizando unidade de resposta audível (URA). Os dados consideram o uso recente de ferramentas como ChatGPT, Copilot e Gemini.

Especialista vê mudança histórica com avanço da IA

Para o diretor do Onovolab, Leandro Palmieri, os números confirmam uma transformação profunda que já está em curso.

Segundo ele, o brasileiro costuma adotar rapidamente novas tecnologias — e a inteligência artificial segue o mesmo caminho.

“Se a gente olhar para trás, foi assim com redes sociais, com o próprio Pix e agora com a inteligência artificial.”

Palmieri destaca que muitas pessoas ainda utilizam a tecnologia de forma básica.

“Hoje, para muita gente, a inteligência artificial ainda está sendo usada como uma espécie de ‘Google melhorado’. Só que isso é apenas a ponta do iceberg.”

IA deve transformar trabalho, educação e decisões do dia a dia

Segundo o especialista, a inteligência artificial não é apenas uma ferramenta — mas uma transformação estrutural na forma como as pessoas trabalham, aprendem e tomam decisões.

Ele afirma que a tecnologia tende a se tornar cada vez mais invisível e integrada ao cotidiano.

“Estamos falando de algo que vai estar nos carros, nos eletrodomésticos, nos sistemas das empresas e nas plataformas de educação.”

Na avaliação dele, o maior diferencial no futuro não será apenas usar IA, mas saber utilizá-la de forma estratégica.

“Quem vai sair na frente não é quem usa IA, mas quem consegue transformar IA em produtividade real.”

Desigualdade no uso pode aumentar diferenças sociais

Outro ponto de atenção destacado por Palmieri é o risco de aumento da desigualdade.

Segundo ele, a diferença entre quem usa inteligência artificial de forma superficial e quem utiliza de forma estratégica pode gerar impactos importantes no mercado de trabalho.

“Não é só sobre acesso à tecnologia, mas sobre capacidade de uso.”

Para o especialista, o momento atual se assemelha ao início da internet.

“Quem entendeu cedo o potencial construiu vantagem. Quem demorou teve que correr atrás.”

Ele conclui com um alerta:

“Nos próximos anos, a diferença entre usar IA apenas para buscar respostas e utilizá-la para produzir e executar melhor pode separar quem evolui de quem fica para trás.”