Projeto da UFSCar leva água potável e melhorias a comunidades indígenas em São Paulo
Iniciativa em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas atua nas aldeias Jaraguá e Tenondé Porã com foco em bem viver
6 ABR 2026 • POR Jessica Carvalho R • 22h10Um projeto de extensão da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), desenvolvido em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), tem promovido ações voltadas ao acesso à água potável e à melhoria das condições de vida em comunidades indígenas no estado de São Paulo.
A iniciativa atende as Terras Indígenas Jaraguá e Tenondé Porã, com foco na gestão ambiental e territorial, além do fortalecimento do chamado “bem viver”. No último dia 26 de março, representantes da Universidade estiveram em Brasília para apresentar os resultados e o andamento das atividades à Coordenadoria Geral de Promoção do Bem Viver Indígena, vinculada ao Ministério.
Participaram da reunião os servidores da UFSCar Djalma Ribeiro Junior, coordenador institucional do projeto, e Márcio Rogério Silva, coordenador executivo, além de integrantes da equipe do MPI.
Intitulado “Resgate da dignidade humana e pertencimento: projeto piloto de gestão ambiental e territorial e bem viver”, o projeto é viabilizado por meio do Termo de Execução Descentralizada (TED) nº 67/2024, com investimento de R$ 3 milhões oriundos de emenda parlamentar do deputado Ivan Valente.
A iniciativa reúne uma equipe multicampi com docentes, técnicos e estudantes das unidades da UFSCar em São Carlos, Araras, Sorocaba e Lagoa do Sino, além de contar com a gestão da Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI).
A parceria leva em conta a trajetória da Universidade no diálogo com povos indígenas, construída desde 2008, com ações que articulam saberes acadêmicos e tradicionais. O projeto foi estruturado a partir de demandas apresentadas pelas próprias comunidades, por meio de notas técnicas elaboradas em conjunto com o Ministério.
Ações em campo
Desde o início das atividades, em dezembro de 2024, diversas ações já foram implementadas nas aldeias. Entre elas, estão a instalação de sistemas de bombeamento e reservatórios de água para enfrentar períodos de estiagem, além da coleta de amostras para análise da qualidade da água e o mapeamento de pontos para perfuração de poços artesianos.
Também foram realizadas melhorias em infraestrutura comunitária, como adequação de banheiros, limpeza de fossas e apoio a mutirões em casas de reza tradicionais.
Na área ambiental, o projeto promoveu o inventário florestal e o plantio de cerca de 2.500 mudas de espécies nativas e frutíferas, incluindo erva-mate, de relevância cultural para o povo Guarani.
Outro eixo importante envolve o incentivo ao ingresso de jovens indígenas no ensino superior público, reforçando o compromisso com a inclusão e a formação acadêmica.
Próximas etapas
Atualmente, o projeto avança para sua fase central, com o início da perfuração de poços artesianos — etapa considerada estratégica para garantir o acesso contínuo à água potável nas comunidades atendidas.
A iniciativa reforça o papel da extensão universitária como ferramenta de transformação social, promovendo soluções construídas em diálogo com os territórios e respeitando os saberes e modos de vida dos povos indígenas.