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Doutorando da USP São Carlos é selecionado para programa internacional de liderança em engenharia

4 ABR 2026 • POR Jessica Carvalho R • 12h06
Em 2025 Rafael foi um dos finalistas do 13ª edição do Campus Mobile, iniciativa do Instituto Claro para criadores de ideias e soluções digitais (Crédito da imagem: Arquivo pessoal)

O doutorando Rafael Zinni Lopes, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, foi selecionado para o Leaders in Innovation Fellowships (LIF) Programme 2026, promovido pela Royal Academy of Engineering, no Reino Unido. A iniciativa reúne pesquisadores e empreendedores de diferentes países com projetos inovadores de alto impacto social e econômico.

Rafael desenvolve a Timbrasom, uma tecnologia assistiva que permite a pessoas surdas ou com baixa audição “sentirem” a música por meio de vibrações na palma da mão. A proposta busca ampliar o acesso desse público a experiências musicais e audiovisuais, promovendo inclusão por meio da inovação.

“Essa seleção representa um símbolo de confiança no meu trabalho e deve trazer mais credibilidade ao projeto, principalmente na busca por parcerias internacionais”, destaca o pesquisador.

O programa internacional oferece treinamentos online em áreas como liderança, inovação e inteligência artificial aplicada a negócios. Além disso, inclui uma missão presencial no Reino Unido, entre os dias 20 de junho e 6 de julho, com visitas a empresas e universidades, como a University College London, além de atividades voltadas à internacionalização de projetos.

Tecnologia que transforma som em vibração

A Timbrasom funciona por meio de um aplicativo que converte sons em padrões vibratórios reproduzidos pelo celular. Dessa forma, usuários conseguem perceber ritmos, intensidades e variações sonoras através do tato.

Segundo Rafael, a proposta vai além da música. “A ideia é permitir que a pessoa compreenda o mundo não apenas por imagens, mas também pelas sensações captadas pela pele”, explica.

Pesquisa no ICMC investiga o cérebro de pessoas surdas

Embora a tecnologia tenha sido criada antes do ingresso no doutorado, a pesquisa desenvolvida no ICMC busca aprimorar o sistema. Sob orientação do professor João Luís Garcia Rosa, o estudo investiga como o cérebro interpreta estímulos vibratórios.

A pesquisa utiliza exames de eletroencefalograma (EEG) para registrar a atividade cerebral de participantes surdos e ouvintes expostos a estímulos sonoros e táteis. O objetivo é compreender como o cérebro processa elementos como ritmo e intensidade, avaliando o potencial da tecnologia como ferramenta de acessibilidade.

A ideia de desenvolver o projeto no instituto surgiu após conversas com a professora Kamila Rios da Hora Rodrigues, que contribuiu com orientações na área de Interação Humano-Computador e destacou a relevância social da pesquisa.

Próximos passos e desafios

A próxima etapa do estudo depende da aprovação do Comitê de Ética e deverá envolver o grupo Batuqueiros do Silêncio, formado por músicos surdos da São Paulo. A intenção é comparar o funcionamento cerebral entre surdos músicos, surdos não músicos e ouvintes.

Apesar do avanço, o pesquisador enfrenta limitações estruturais, como a falta de um equipamento de EEG mais moderno. “Estamos fazendo reparos no equipamento atual para conseguir dar continuidade aos experimentos”, relata.

Aplicações futuras

Entre os planos futuros, Rafael pretende integrar a tecnologia a implantes cocleares e aparelhos auditivos, buscando melhorar a experiência musical para usuários desses dispositivos, que ainda apresentam limitações nesse tipo de percepção.

Informações da assessoria de imprensa