SCA entrevista

MARQUINHO AMARAL: “Tem gente que fala que o PT é isso ou o PT é aquilo, mas nasceram dentro do governo do PT, na sombra dos prefeitos Barba e Newton”

Como presidente da Câmara, ele recebeu Paulo Maluf, Lula, Aloysio Nunes Ferreira e Rodrigo Garcia

3 ABR 2026 • POR Da redação • 07h31
O presidente da PROHAB, Marquinho Amaral: "Eu briguei com o Paulo Altomani para conseguir a federalização do Hospital Universitário" - Jean Guilherme

O presidente da PROHAB, Marquinho Amaral, destacou, nesta terça-feira, 31 de março, que, mesmo contra a vontade do então prefeito Paulo Altomani, a Câmara Municipal, sob o seu comando, conseguiu a federalização do Hospital Universitário, que era, naquela época, chamado de Hospital Escola. Confira entrevista completa em vídeo neste link

“Fico feliz de hoje ver este hospital aumentar o número de leitos, criar um centro de nefrologia e etc. A Prefeitura não tinha como manter o hospital e, graças ao nosso trabalho juntamente com os demais vereadores da época, conseguimos passar este equipamento social tão importante para a União”, destaca ele.

“Se hoje nós temos o Hospital Universitário é porque eu briguei, no bom sentido, na época, como presidente da Câmara, com o prefeito Paulo Altomani. Ele era radicalmente contra a federalização do Hospital Universitário na época. Eu fiz um amplo movimento na cidade, como presidente da Câmara, para fazer com que este hospital se tornasse federal. Se existiu a visita do Lula para criar o Centro de Nefrologia e inaugurar novos leitos é porque, um dia, lá em 2013, houve um presidente da Câmara com coragem para brigar com o prefeito. Eu contrariei o desejo do prefeito. Peguei um bloco de vereadores, com MDB, que nos ajudou muito. Se não tivéssemos federalizado este hospital, ele seria um hospital capenga, pois a Prefeitura não teria condições financeiras de manter este equipamento público”, destaca Marquinho.

Marquinho lamentou o grande número de moradores de rua que frequentam a Praça Independência, que existe nas proximidades do Cemitério Nossa Senhora do Carmo. “Eles ficam pedindo esmolas. E quem não dá é ameaçado. Não podemos continuar com gente nos semáforos jogando pedras nos bairros. É uma questão muito complexa. Não podemos defender bandidos, lugar de bandido é na cadeia”.

Ele lembrou que, no último sábado, um morador de rua morreu na Rua Antônio Blanco. “Outros moradores de rua foram ao local para tomar informações sobre o velório do amigo. Depois, este grupo ficou cerca de cinco horas e meia no local perturbando as pessoas. Tenho certeza de que a secretária Gisele tem trabalhado neste sentido”.

Marquinho também defende a ideia de se criar um local para os moradores em situação de rua trabalharem e aprenderem uma profissão. “O ex-prefeito Paulo Altomani teve esta ideia e acabou não levando para frente. A ideia era brilhante, mas infelizmente não vingou. Existem entidades beneméritas que cuidam deste pessoal, mas elas não dão conta da alta demanda que existe na cidade”, comenta.

Para ele, a relação entre adversários deve ser republicana e respeitosa. “Eu sou adversário do presidente Lula e do PT, mas fui um dos primeiros a falar para o prefeito Netto Donato que ele deveria receber o presidente da República em São Carlos. Eu, como presidente da Câmara, recebi Paulo Maluf, recebi Lula, recebi Aloysio Nunes Ferreira, recebi Rodrigo Garcia. Eu era presidente de uma instituição. Embora tenha minha ideologia e meu partido, sou republicano. Modéstia à parte, nas duas vezes em que presidi a Câmara Municipal eu sempre recebi indistintamente. Os políticos que têm cargos têm que ser recebidos. Eu sou anti-PT. Fui um dos poucos políticos que, durante os 12 anos de governo do PT em São Carlos, não correu para se aliar a eles. Eu fiquei 12 anos na oposição. Tem gente que fala mal do PT, mas tinha cargo no governo do PT. Tem gente que fala que o PT é isso ou o PT é aquilo, mas nasceram dentro do governo do PT, na sombra dos prefeitos Oswaldo Barba e Newton Lima. Eu fiquei um pouco chateado por não ter sido convidado para a solenidade no Hospital Universitário do dia 25 de março, mas eu não tenho vaidade”, comenta.

Administrador de formação e político por talento, Marquinho, após as eleições, recebeu três propostas do prefeito Netto Donato (PP) para fazer parte do seu governo.

Ele, Marquinho, poderia atuar na Secretaria Municipal de Trânsito ou na Secretaria de Relações Institucionais para dialogar diretamente com o mundo político, em particular a Câmara Municipal. “Na antevéspera de Natal, Netto me visitou na minha casa. Falamos de outros locais e eu perguntei para ele sobre a PROHAB. Ele me respondeu que a PROHAB era um desafio. Aí eu disse que era justamente isso que eu queria para atuar no Poder Executivo”, comenta.

Marquinho deixa claro que está muito feliz em sua primeira experiência no Poder Executivo. “Durante toda a minha vida política, que exerço desde 1992, fiquei na Câmara Municipal durante vários mandatos, sempre entre os mais votados. Em 2008 fiquei fora da Câmara. Na época fui convidado pelo prefeito Oswaldo Barba (PT), mas não aceitei e fui assessor do deputado federal Lobbe Neto e do deputado estadual Roberto Massafera. Nada é por acaso. Para mim está sendo muito importante presidir a PROHAB”, comenta.