Há seis anos, São Carlos registrava a primeira morte por Covid-19
Em 2025, em São Carlos foram registrados 1.909 casos positivos e 5 mortes; desde 2020 e até março do ano passado, a covid matou cerca de 600 são-carlenses
5 ABR 2026 • POR Da redação • 07h00Há exatamente seis anos, no dia 5 de abril de 2020, morreu a primeira vítima fatal de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). Era um homem de 41 anos que estava internado na Santa Casa desde o dia 31 de março, conforme anunciou a Vigilância Epidemiológica após receber do Instituto Adolfo Lutz (IAL) a confirmação da causa da morte.
VACINAÇÃO TEM SUCESSO, MAS DOENÇA PERSISTE — A vacinação contra a covid-19, iniciada há 5 anos no Brasil, levou ao fim da pandemia — mas a doença ainda persiste, mesmo que em patamares muito menores. Por isso, especialistas alertam que é essencial manter a imunização entre aqueles que não foram vacinados antes ou que têm risco maior de desenvolver quadros graves da doença.
A cobertura, no entanto, está longe do ideal: em 2025, de cada 10 doses distribuídas pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios, menos de 4 foram utilizadas. Foram, ao todo, 21,9 milhões de vacinas, e apenas 8 milhões aplicadas.
O médico infectologista Daniel Castorino, em entrevista exclusiva ao SÃO CARLOS AGORA, afirma que depois de cinco anos da vacinação, podemos dizer com tranquilidade que as vacinas conseguiram acabar com a pandemia.
“A covid-19 não colapsa mais hospitais, ela deixou de ser uma preocupação tão iminente. Só que o vírus continua circulando e, portanto, presente na sociedade, em todos os lugares, e ainda é uma ameaça. Talvez o mais alarmante seja o caso das crianças pelo estado de imunidade delas. Se elas têm uma infecção, tendem a ter quadros potencialmente mais graves. Justamente esta faixa etária vem deixando de se vacinar. Parte disso acredito que vem da desinformação, da hesitação vacinal, não só da vacina contra a Covid, mas também há resistência com outras vacinas”, explica Castorino.
Segundo ele, as pessoas ficaram com receios que surgiram por vários motivos, inclusive políticos. “Mas isso criou um movimento antivacina. Tem pessoas que até têm boas intenções e acabam adotando uma postura antivacinal também. Isso é um efeito negativo. O sucesso da vacina cria, também, uma falsa sensação de segurança. Sei que isso parece contraditório. Quanto melhor a vacina funciona protegendo contra doenças, mais as pessoas acham que não precisam delas. Quando há uma redução de óbitos e de internações, as pessoas têm uma falsa sensação de que a doença deixou de ser uma preocupação. Mas ela continua sendo uma preocupação. A situação somente se tornou mais branda justamente porque a vacinação foi efetiva”.
O infectologista pondera que, se é verdade que não temos a mesma emergência de 2020 e 2021, a doença continua sendo extremamente grave, principalmente para idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e doenças crônicas. De acordo com ele, sempre existe a possibilidade de surgir uma nova variante e provocar uma nova onda de casos, justamente porque, se temos várias pessoas adoecendo, isso propicia uma mutação dos vírus e estes vírus se tornam uma nova variante. “Então, se eu tenho uma baixa circulação viral, eu acabo tendo menores chances de ter variações no material genético do vírus e, portanto, menos mutações”, explica.
Por fim, o médico infectologista alerta para a necessidade de a população continuar confiando e apostando na vacina como meio de não ser infectado pela covid. “Se tem uma mensagem que posso passar é que a vacina, neste caso, não representa apenas uma proteção individual, mas sim uma proteção coletiva, ela é um pacto coletivo. E se este pacto deixa de ser visto desta maneira, de forma coletiva, ainda temos uma perda nos benefícios que as vacinas poderiam ter. Quando muitas pessoas deixam de se vacinar, o vírus volta, encontra espaço para circular e aí poderá se tornar um risco muito grande e nos fazer voltar àquelas cenas horríveis dos últimos anos. Não podemos, então, esperar uma nova crise para utilizar a ferramenta de imunização, que é a vacinação. Não há outra estratégia mais efetiva. Assim conseguiremos evitar retornar a situações alarmantes”, conclui Castorino.
Desde 2024, a vacina contra a covid-19 foi incluída no calendário básico de vacinação de três grupos: crianças, idosos e gestantes. Além disso, pessoas que fazem parte de grupos especiais (confira as informações completas abaixo) devem reforçar a imunização periodicamente. No entanto, cumprir esse calendário tem sido um desafio no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, 2 milhões de doses foram aplicadas no público infantil em 2025, mas a pasta não especificou qual o índice de cobertura atingido com esse total.
O painel público de vacinação indica que apenas 3,49% do público-alvo menor de 1 ano foi vacinado em 2025. Em nota, o Ministério informou que "os dados atuais subestimam a cobertura real: o painel apresenta apenas a aplicação em crianças menores de um ano, enquanto o público-alvo inclui crianças menores de cinco anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais" e que "está desenvolvendo a consolidação dos dados por coorte etária".
MORTES EM SÃO CARLOS - Os registros de mortes por COVID-19 em São Carlos (SP) apresentaram uma queda drástica nos últimos anos, conforme os dados disponibilizados pelo Departamento de Vigilância em Saúde do município.
Abaixo estão os números confirmados de casos com mortes (óbitos) registrados ano a ano:
Ano Número de Mortes Registradas
2020 76 óbitos (registrados entre abril e dezembro)
2021 507 óbitos (ano com o pico de letalidade, especialmente em março)
2022 Dados regionais indicam queda, mas o acumulado local superou 600 mortes desde o início da pandemia até março deste ano
2023 Período de estabilização pós-vacinação em massa (dados consolidados anuais menos divulgados isoladamente)
2024 18 óbitos
2025 5 óbitos (todos de pacientes com comorbidades)
Destaques recentes (2024-2025):
Em 2024: O município registrou 5.959 casos positivos e 18 mortes.
Em 2025: Foram 1.909 casos positivos e apenas 5 mortes ao longo de todo o ano. Os óbitos ocorreram nos meses de janeiro, abril, outubro, novembro e dezembro.
Primeiro Registro: A primeira morte na cidade ocorreu em 5 de abril de 2020.