Casos de Hepatite A disparam em Ribeirão Preto e acendem alerta para vacinação
2 ABR 2026 • POR Sergio Nogueira • 10h58Ribeirão Preto registrou um aumento expressivo nos casos de Hepatite A em 2026, com 203 confirmações entre janeiro e março, frente a apenas 2 registros no mesmo período de 2025. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde e indicam um cenário de surto, com rápida disseminação da doença no município.
A Hepatite A é uma infecção viral transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados, além do contato direto com pessoas infectadas. Entre os sintomas mais comuns estão febre, fadiga, náuseas, dor abdominal e icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos. Embora, na maioria dos casos, tenha evolução benigna, a doença pode causar complicações, especialmente em pessoas com outras condições de saúde.
De acordo com a infectologista Silvia Nunes Szente Fonseca, docente do IDOMED (Instituto de Educação Médica), a vacinação é uma das principais estratégias para conter o avanço da doença. “A vacina contra a Hepatite A é segura, eficaz e fundamental para reduzir a circulação do vírus. Ampliar a cobertura vacinal é essencial para proteger a população e evitar novos casos”, afirma.
Além da imunização, medidas básicas de prevenção são essenciais para interromper a transmissão. Lavar as mãos com frequência, especialmente antes das refeições e após o uso do banheiro, higienizar corretamente frutas, verduras e utensílios, consumir água tratada e evitar alimentos de procedência duvidosa estão entre as principais recomendações.
Nesse contexto, especialistas também chamam atenção para o papel estrutural do saneamento básico. O acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto é um dos principais fatores para reduzir a circulação do vírus, já que a doença está diretamente associada a condições sanitárias inadequadas. Investimentos em saneamento, portanto, têm impacto direto na prevenção da Hepatite A e de outras doenças infecciosas.
Evitar contato com pessoas infectadas e redobrar a atenção em ambientes com condições sanitárias precárias também são medidas importantes para reduzir o risco de contágio.
Para a especialista, a combinação entre vacinação, hábitos de higiene e melhorias nas condições sanitárias é decisiva para conter o avanço da doença. “A Hepatite A é evitável. Com medidas simples, vacinação e acesso adequado ao saneamento, é possível controlar surtos e reduzir significativamente os impactos na saúde pública”, diz.