Saúde

Butantan produzirá remédio contra câncer para o SUS

27 MAR 2026 • POR Da redação • 06h39

O Instituto Butantan firmou uma parceria com a farmacêutica norte-americana MSD para viabilizar a produção, no Brasil, de um medicamento inovador contra o câncer destinado a pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde. A iniciativa tem origem em um edital publicado pelo Ministério da Saúde em 2024.

O fármaco, conhecido como pembrolizumabe, atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais. Considerado menos agressivo que a quimioterapia convencional, o tratamento tem apresentado resultados positivos em diversos casos.

Atualmente, o medicamento já é adquirido pelo Ministério da Saúde diretamente da MSD e disponibilizado no SUS, principalmente para pacientes com melanoma metastático — um tipo de câncer de pele mais agressivo, com capacidade de atingir outros órgãos.

De acordo com a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, cerca de 1,7 mil pessoas recebem o tratamento anualmente, gerando um custo aproximado de R$ 400 milhões aos cofres públicos.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde avalia a ampliação do uso do medicamento para outros tipos de câncer, como colo do útero, esôfago, mama triplo-negativo e pulmão. Com essa possível expansão, a MSD estima que o número de pacientes atendidos possa chegar a 13 mil por ano.

Segundo Fernanda De Negri, um dos principais ganhos da parceria será a redução de custos ao longo do tempo, já que o acordo prevê a transferência gradual de tecnologia. A expectativa é que, futuramente, o Butantan passe a produzir o medicamento de forma independente. Além disso, o acordo fortalece o desenvolvimento tecnológico nacional e garante prioridade no abastecimento.

“A proposta envolve uma molécula inovadora, e o Butantan vai adquirir a capacidade não apenas de produzi-la, mas também de desenvolver outras semelhantes no futuro”, destacou a secretária.

Ela também ressaltou que a produção nacional representa mais segurança para os pacientes. “Fabricar esse medicamento no país reduz riscos de desabastecimento causados por problemas externos, como interrupções nas cadeias logísticas”, concluiu.