Cidade

Óleos essenciais apresentam ação inseticida contra a mosca-branca

26 MAR 2026 • POR Jessica Carvalho R • 22h10

Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, em parceria com a Universidade Federal de São Carlos, revela que plantas comuns do dia a dia podem ser uma alternativa promissora no combate à mosca-branca (Bemisia tabaci), uma das pragas mais prejudiciais à agricultura.

O estudo investigou o uso de óleos essenciais extraídos de espécies vegetais no controle do inseto. Entre os destaques, o capim-limão (Cymbopogon citratus) e o cravo-da-índia (Syzygium aromaticum) apresentaram resultados expressivos em testes de laboratório, alcançando cerca de 80% de mortalidade da praga.

Praga causa prejuízos e desafia produtores

A mosca-branca é considerada um dos principais problemas fitossanitários no mundo. Além de se alimentar da seiva das plantas, o inseto transmite vírus que comprometem o desenvolvimento das culturas, causando crescimento reduzido e queda na produtividade.

O controle desse inseto ainda depende, em grande parte, do uso de inseticidas sintéticos. No entanto, essa estratégia enfrenta limitações importantes, como impactos ambientais, riscos à saúde e a crescente resistência da praga aos produtos químicos. Outro desafio é o comportamento do inseto, que se instala principalmente na parte inferior das folhas, dificultando a ação dos defensivos.

Alternativa sustentável ganha destaque

Diante desse cenário, pesquisadores buscaram alternativas mais sustentáveis. O estudo, publicado na revista científica Journal of Economic Entomology, analisou óleos essenciais de seis espécies vegetais, incluindo erva-baleeira, alecrim-do-campo, aroeira e plantas do gênero Callistemon.

Os testes avaliaram o impacto desses compostos em diferentes fases do ciclo da mosca-branca — ovos, ninfas e adultos — além da capacidade de repelir os insetos e reduzir sua reprodução.

Os resultados mostraram que o óleo de capim-limão teve alta eficácia sobre os ovos, podendo impedir a eclosão. Já os óleos de cravo-da-índia, capim-limão e alecrim-do-campo apresentaram elevada mortalidade na fase de ninfa, considerada crítica para o desenvolvimento do inseto.

Compostos naturais dificultam resistência

Segundo a pesquisadora Regiane Cristina de Oliveira, os óleos essenciais possuem uma vantagem importante em relação aos inseticidas convencionais: atuam por múltiplos mecanismos.

Na prática, isso significa que, enquanto os produtos químicos geralmente agem em um único ponto do organismo do inseto — facilitando o desenvolvimento de resistência —, os compostos naturais combinam diferentes substâncias que dificultam a adaptação da praga.

Entre os principais compostos identificados estão o eugenol, presente no cravo-da-índia, e os compostos geranial e neral, encontrados no capim-limão, todos com ação inseticida comprovada.

Potencial para o manejo integrado de pragas

O pesquisador João Pedro Bonfim destaca que, além da mortalidade dos insetos, alguns óleos também apresentaram efeito repelente e reduziram a oviposição — ou seja, a quantidade de ovos depositados pelas fêmeas.

Esse conjunto de efeitos reforça o potencial dos óleos essenciais como ferramenta no manejo integrado de pragas, contribuindo para reduzir a infestação ao longo do tempo e diminuir a dependência de inseticidas sintéticos.

A pesquisa contou ainda com a participação da docente Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva e teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

Os resultados indicam que soluções baseadas em compostos naturais podem abrir novos caminhos para uma agricultura mais sustentável e eficiente, especialmente no enfrentamento de pragas que desafiam o setor há décadas.