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Estudantes da USP São Carlos recebem R$ 16 mil em competição nacional de tecnologia

25 MAR 2026 • POR Jessica Carvalho R • 20h10
Da esquerda para a direita: professor Matheus com os alunos Ayrton, João Pedro e Letícia (Crédito da imagem: Huawei

Três estudantes do curso de Bacharelado em Ciência da Computação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP São Carlos se destacaram na Huawei ICT Competition 2025-2026, garantindo o 2º lugar na categoria Cloud. A etapa nacional da competição foi realizada em Brasília entre os dias 25 e 26 de fevereiro e reuniu equipes de diversas universidades do país.

A equipe formada por Ayrton da Costa Ganem Filho, João Pedro Alves Notari Godoy e Letícia Barbosa Neves recebeu um prêmio de R$ 16 mil e assegurou uma vaga na fase latino-americana da competição, que reúne representantes de diferentes países da região. Apenas as duas equipes melhores colocadas de cada nação avançam para essa etapa.

Para Letícia Barbosa, o resultado reflete o esforço do grupo em se preparar de forma autônoma, conciliando os estudos com a graduação. “Acredito que a vitória veio desta vez pelo acúmulo de conhecimentos que fomos construindo ao longo do tempo na universidade”, afirma. Em 2024, a mesma equipe havia conquistado o 7º lugar, sem avançar para a fase latino-americana.

Como funciona a competição

A Huawei ICT Competition é dividida em quatro trilhas — Cloud, Networking, Computing e Innovation — e tem como objetivo desenvolver talentos em áreas como computação em nuvem, redes, inteligência artificial e big data. A equipe do ICMC escolheu a trilha Cloud, que engloba conceitos de computação em nuvem, inteligência artificial e aplicações tecnológicas. “Optamos por essa trilha por termos afinidade com a tecnologia”, explica Ayrton Filho.

Antes da etapa nacional, os estudantes passaram pela fase preliminar, realizada de forma remota e que reuniu 2.656 competidores de todo o Brasil. Avançaram apenas os três melhores estudantes de cada universidade, formando então a equipe vencedora. Para a fase nacional, os times precisaram ser acompanhados por um mentor — neste caso, o professor Matheus Machado do Santos, do ICMC.

A prova teórica em Brasília consistiu em 150 questões de múltipla escolha a serem respondidas em 120 minutos. Segundo o professor Matheus, a competição aproxima os alunos das tecnologias utilizadas pelo mercado. “A Huawei ICT Competition exige que os alunos tenham domínio conceitual e saibam aplicar essas soluções na prática, aproximando a formação acadêmica das demandas reais do setor de tecnologia”, afirma.

Além da competição, os participantes puderam assistir a palestras e realizar uma visita cultural pelos principais pontos de Brasília, incluindo o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal, a Catedral Metropolitana e o Memorial JK.

Próxima etapa: desafios práticos online

O próximo desafio da equipe será a fase latino-americana, que ocorrerá de forma online no próximo mês. Diferente da prova teórica, os alunos enfrentarão desafios práticos em ambiente de laboratório, implementando soluções diretamente na plataforma de computação em nuvem da Huawei.

Caso avancem, os estudantes poderão representar o Brasil na final mundial da Huawei ICT Competition, prevista para ocorrer em Shenzhen, na China, sede global da empresa. Para João Pedro Alves, participar da competição é uma oportunidade de se atualizar sobre tecnologias usadas por grandes empresas e compreender o que se espera dos profissionais de tecnologia. “A graduação nos dá uma base teórica muito forte, mas a área muda muito rápido. Competições como essa ajudam a entender as tecnologias em uso e o que será exigido de nós no mercado”, conclui.