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Início do outono: clima pode influenciar o humor e a percepção da dor?

Especialistas explicam como as variações de temperatura e pressão atmosférica impactam o bem-estar físico e emocional

20 MAR 2026 • POR Beatriz F • 23h32

Com a chegada do outono, os dias começam a ficar mais curtos e as temperaturas gradualmente mais baixas. A mudança, muitas vezes percebida apenas no guarda-roupa ou na rotina, também pode provocar efeitos no corpo e na mente. 

Segundo o Dr. Thiago Ferreira, médico reumatologista e professor de pós-graduação da Afya Ribeirão Preto, o clima frio costuma impactar principalmente pessoas com doenças articulares, como artrite e artrose. Embora não seja a causa dessas condições, as baixas temperaturas podem intensificar os sintomas. “Observamos na prática clínica que muitos pacientes relatam aumento da rigidez nas articulações e mais desconforto nos dias frios”, explica. Ele acrescenta que isso ocorre porque o frio favorece a contração muscular e reduz a flexibilidade articular, o que pode gerar a sensação de articulação “travada”. 

Outro fator apontado pelo médico como possível agente  na percepção de dor é a variação da pressão atmosférica, comum em mudanças de estação. De acordo com o especialista, alterações na temperatura, umidade e pressão podem afetar tecidos mais sensíveis, especialmente em quem já apresenta inflamação ou desgaste nas articulações. “Isso ajuda a explicar por que alguns pacientes relatam piora antes de chuva ou frentes frias”, afirma. 

Mas não é apenas o corpo que sente a mudança de estação. O humor e a saúde mental também podem sofrer influência do clima. Mariana Ramos,  professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna destaca que a redução da luz solar ao longo do outono pode impactar diretamente o bem-estar emocional e mecanismos biológicos que regulam o sono, a disposição e o humor. 

Segundo a psicóloga, a exposição à luz natural é fundamental para o equilíbrio do organismo. “Ela está ligada à produção de substâncias importantes para o humor, como a serotonina. Quando os dias ficam mais curtos, algumas pessoas podem sentir mais cansaço e desânimo” , explica a especialista . Segundo Dra. Mariana, a luz do dia também contribui para a produção de vitamina D e para a regulação da melatonina, hormônio do sono, ajudando na manutenção do ritmo circadiano,  o  chamado “relógio biológico” que organiza funções como sono, produção hormonal e níveis de energia. 

Em situações mais marcantes, essas alterações podem estar associadas ao transtorno afetivo sazonal, conhecido pela sigla em inglês SAD (Seasonal Affective Disorder), um tipo de depressão com padrão sazonal recorrente, em que os sintomas costumam aparecer em determinadas épocas do ano e podem durar cerca de quatro a cinco meses. “Embora muitas pessoas apenas se sintam mais desanimadas quando há menos luz natural, é importante observar quando essas mudanças persistem por semanas ou começam a afetar a forma como a pessoa se sente, pensa ou se comporta”, ressalta a especialista.

Como resume a Dra. Mariana Ramos, pequenas adaptações na rotina podem fazer diferença: “O corpo e a mente respondem ao ambiente. Quando mantemos hábitos saudáveis, ajudamos o organismo a se ajustar melhor às mudanças naturais das estações”.