Pesquisadora da UFSCar é selecionada para programa europeu de excelência científica
18 MAR 2026 • POR Jessica Carvalho R • 19h25A pesquisadora Ana Luiza Costa Silva, do Departamento de Física da Universidade Federal de São Carlos, foi selecionada para financiamento do Marie Skłodowska-Curie Actions (MSCA) 2025, uma das iniciativas mais prestigiadas da União Europeia voltadas à mobilidade internacional de pesquisadores. Atualmente em estágio de pós-doutorado, ela desenvolve suas atividades sob supervisão do professor Victor Lopez-Richard, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Física da UFSCar, onde concluiu o curso em 2023 sob orientação de Marcio Peron, Ana Luiza atua na área de Física Experimental, com foco em materiais semicondutores. Sua pesquisa investiga propriedades eletrônicas de filmes finos de óxidos metálicos, incluindo fenômenos como memória resistiva e capacitiva — características que permitem aos materiais “lembrar” estímulos elétricos anteriores.
O projeto aprovado, intitulado Resistive Memory Interfaces for Next-generation Detection (Remind), será desenvolvido na Julius-Maximilians-Universität Würzburg, na Alemanha, sob supervisão do pesquisador Fabian Hartmann. A instituição é reconhecida mundialmente e já esteve associada a 14 laureados com o Prêmio Nobel, incluindo Wilhelm Conrad Röntgen.
A proposta tem como foco o desenvolvimento de sensores inteligentes baseados em materiais ultrafinos capazes de registrar a exposição a gases ao longo do tempo. “A ideia é que esses dispositivos não apenas detectem moléculas no ambiente, mas também armazenem esse histórico diretamente no próprio sensor”, explica a pesquisadora. Os equipamentos devem operar em temperatura ambiente e poderão ser aplicados no monitoramento ambiental, controle da qualidade do ar e segurança industrial.
Durante o período no exterior, Ana Luiza trabalhará com dispositivos semicondutores em escala nanométrica, utilizando técnicas avançadas em ambientes controlados, como salas limpas. O projeto também prevê atividades de formação acadêmica, incluindo redação científica, planejamento de carreira e orientação de estudantes.
A seleção para o MSCA é altamente competitiva. Em 2025, o programa recebeu mais de 17 mil propostas e aprovou cerca de 1.600 projetos, com taxa inferior a 10%. Os contemplados representam cerca de 80 nacionalidades e desenvolverão pesquisas em 45 países.
Para a pesquisadora, o resultado representa reconhecimento internacional. “É uma grande satisfação ver a proposta selecionada em um processo tão competitivo. Isso reforça o trabalho desenvolvido e abre novas oportunidades de colaboração científica”, afirma.
A conquista também fortalece a inserção da UFSCar em redes globais de pesquisa. Segundo a instituição, a participação em programas internacionais amplia a visibilidade da produção científica e contribui para o avanço de estudos em áreas estratégicas.
Além dos resultados científicos, a expectativa é que o projeto gere desdobramentos duradouros. “Essas colaborações ampliam o intercâmbio de conhecimento e ajudam na formação de novos pesquisadores, com impacto a longo prazo”, conclui Ana Luiza.
Assessoria de imnprensa