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Projetos do ICMC da USP entram no TOP 100 mundial de IA aplicada à saúde

18 MAR 2026 • POR Jessica Carvalho R • 15h20

Duas iniciativas desenvolvidas no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, da Universidade de São Paulo, em São Carlos, conquistaram reconhecimento internacional ao integrarem o TOP 100 2025 do Centro Internacional de Pesquisa em Inteligência Artificial. Coordenados pelo professor André de Carvalho, os projetos BioAutoML e BioPrediction foram selecionados entre iniciativas de mais de 30 países por seu potencial de impacto social, inovação e alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

As soluções utilizam inteligência artificial para enfrentar desafios concretos na área da saúde. O BioAutoML, desenvolvido pelo pesquisador Robson Bonídia, permite a análise de sequências biológicas para identificar patógenos e apoiar o desenvolvimento de novos medicamentos. Já o BioPrediction, criado por Bruno Rafael Florentino, analisa a interação entre vírus e proteínas humanas, facilitando a descoberta de novas terapias. Segundo André de Carvalho, o diferencial está na democratização do acesso à tecnologia, permitindo que profissionais da saúde utilizem ferramentas avançadas de IA sem necessidade de formação em computação.

O reconhecimento é concedido sob os auspícios da UNESCO, que avalia projetos capazes de oferecer soluções responsáveis, escaláveis e sustentáveis. Entre os critérios estão o uso de ciência de dados, impacto mensurável nos ODS e potencial de transformação social. O BioAutoML foi classificado entre os 15 projetos mais bem avaliados, considerados de alto grau de inovação e impacto, enquanto o BioPrediction aparece como promissor, destacando-se pelo potencial de crescimento.

Além do reconhecimento internacional, o BioAutoML já apresenta forte impacto acadêmico, com mais de 40 mil acessos em cerca de 50 países e aproximadamente 230 citações científicas. A ferramenta também rendeu prêmios importantes ao pesquisador, como o Tese Destaque USP e o Prêmio de Reconhecimento Acadêmico em Direitos Humanos (PRADH), promovido em parceria com o Instituto Vladimir Herzog.

Os pesquisadores destacam ainda o potencial das plataformas para reduzir desigualdades no acesso à tecnologia. “Um especialista pode transformar seu conhecimento em um modelo de inteligência artificial e compartilhá-lo com centros que não possuem a mesma estrutura”, explica Robson Bonídia. Já Bruno Florentino afirma que o próximo passo é tornar o BioPrediction totalmente automatizado, ampliando sua aplicabilidade.

A seleção para o TOP 100 é parte de um processo internacional rigoroso, e o IRCAI ainda deve anunciar, ao longo de 2026, os dez projetos de maior destaque global. Caso sejam escolhidos, os pesquisadores brasileiros poderão apresentar suas soluções em um evento internacional, ampliando as chances de novas parcerias e investimentos.

Com iniciativas como essas, São Carlos reforça seu papel como polo de inovação e pesquisa, mostrando como a inteligência artificial pode ir além das tendências tecnológicas e gerar impactos reais na saúde e na sociedade.