Um em cada três brasileiros de alta renda compra pouco ou nada online, aponta estudo da Serasa
17 MAR 2026 • POR Jessica Carvalho R • 07h10Apesar da forte presença digital e do alto poder aquisitivo, uma parcela significativa dos brasileiros mais ricos ainda mantém hábitos de consumo fora do ambiente online. É o que revela o 1º Anuário Mosaic Insights, estudo da Serasa Experian, que mostra que 34% das pessoas com renda acima de 20 salários mínimos compram pouco ou simplesmente não utilizam o comércio eletrônico.
O levantamento indica que, embora a jornada de consumo desse público muitas vezes comece no digital, a decisão final costuma ocorrer em canais físicos ou baseados em relacionamento. Ou seja, o ambiente online funciona mais como ponto de pesquisa do que de conversão para uma parte relevante da chamada elite econômica.
Segundo a CMO e vice-presidente de Marketing Solutions da Serasa Experian, Giovana Giroto, o estudo reforça que não existe uma estratégia única quando o critério de análise é apenas a renda. "Mesmo em menos de 1% da população, temos nuances importantes a serem consideradas pelas marcas que querem se comunicar de maneira eficaz", afirma. Ela destaca que a leitura simplificada pode levar a estereótipos e estratégias pouco eficientes. "O Mosaic permite enxergar múltiplas elites e diferentes jornadas, inclusive aquelas em que o digital é porta de entrada, mas não é o ponto final", completa.
O anuário também dimensiona o tamanho desse público no Brasil. Os chamados "super-ricos" representam uma fatia ainda mais restrita dentro do topo da pirâmide: cerca de 0,40% da população recebe acima de 30 salários mínimos mensais. Nesse grupo, o consumo premium está mais associado à conveniência e à manutenção da rotina do que à ostentação, com destaque para categorias como eletrônicos, delivery, farmácia, cosméticos, itens para casa e supermercado.
Múltiplas elites e diferentes perfis
Para aprofundar a análise, o Mosaic Insights segmenta os super-ricos em diferentes grupos, levando em consideração não apenas a renda, mas também comportamento, momento de vida e estabilidade financeira. A maior concentração (68%) está no grupo de "Alta Renda e Executivos Consolidados".
Outros perfis também aparecem com relevância, como a "Classe Média Urbana Estruturada", que representa 12% do total e reúne consumidores com maior previsibilidade financeira, além de "Empreendedores em Crescimento" (4%) e "Autônomos e Pequenos Empreendedores" (4%). Esses grupos, apesar da renda elevada, tendem a ter rotinas mais sensíveis ao fluxo de caixa e à dinâmica dos negócios. Os demais clusters somam 12%, evidenciando a diversidade dentro da elite econômica.
A pesquisa também revela um recorte etário significativo: entre os super-ricos, um em cada quatro tem até 39 anos. O dado aponta para um perfil mais jovem do que o imaginado e indica que a riqueza, no Brasil, não está restrita apenas a heranças, mas também ligada a trajetórias profissionais aceleradas e ao empreendedorismo.
Para Giovana Giroto, esse cruzamento de informações amplia a compreensão sobre o comportamento da alta renda no país. "A elite brasileira não é só herdeira, ela também reflete trajetórias profissionais e empreendedoras, o que muda repertório, canais e a própria lógica de decisão", conclui.