Combustíveis

Preço do diesel dispara e PROCON fiscaliza postos de São Carlos

Economista são-carlense alerta que é muito importante pesquisar preços, pois os postos de combustíveis são livres para definir valores

16 MAR 2026 • POR Da redação • 16h53
Posto de gasolina divulga o valor dos três combustíveis - SCA

O preço do diesel voltou a subir e já preocupa motoristas e empresários do setor de combustíveis em São Carlos. O SCA percorreu alguns postos no início da tarde desta segunda-feira, 16 de março, e constatou que os preços variam entre R$ 7,75 e R$ 7,79. Alguns postos sequer divulgam o valor do diesel e existem ainda postos na região central da cidade que não divulgam preço nem do diesel, nem da gasolina e nem do etanol.

O aumento dos preços é justificado pela guerra de EUA e Israel contra o Irã e também seria explicado pela defasagem entre o preço praticado no Brasil e o valor do combustível no mercado externo. Um indicador citado pelo Núcleo de Postos aponta que o diesel no país está cerca de R$ 2,75 por litro abaixo do preço internacional, enquanto a gasolina apresenta uma defasagem aproximada de R$ 1,47 por litro.

Para o economista são-carlense Sérgio Perussi, para tentar segurar o preço do diesel diante do aumento do preço do petróleo no mundo devido à guerra no Oriente Médio, o governo, no início do conflito, reduziu as contribuições do PIS/COFINS incidentes sobre esse combustível, visando evitar impactos na inflação e no custo do frete. “Estamos em época de safra e o uso do diesel é intenso pelos caminhões, além do transporte urbano por veículos a diesel”, destaca ele.

Perussi explica que a Petrobras importa por volta de 30% do diesel consumido no país, já que as refinarias não são capazes de atender à demanda nacional, por falta de infraestrutura e também por questões tecnológicas relacionadas ao tipo de petróleo que o Brasil extrai do pré-sal, que é mais pesado e exige tecnologias mais atuais, o que o país ainda não tem em nível suficiente. “Assim, para a própria Petrobras, o custo com importação subiu, então há a necessidade de elevar o preço na refinaria para manter a estrutura de custos da empresa saudável. Ao mesmo tempo, as distribuidoras também podem importar diesel e gasolina.”

“Juntando as duas coisas: se a Petrobras não sobe o preço do diesel que ela importou e que é oferecido às distribuidoras, ela sofre com a elevação de custos. Além disso, se não subir o preço, as distribuidoras irão comprar diesel da Petrobras e não importar no mercado mundial, pois o diesel no mercado mundial estará mais caro”, reflete o economista.

A consequência disso, segundo Perussi, pode ser uma pressão de custo para a Petrobras e também uma pressão de demanda, pelas distribuidoras, no diesel que ela importa, pois desestimularia as distribuidoras a importarem o diesel (e também a gasolina, que o país igualmente importa). “Então, para equilibrar a estrutura de custos da Petrobras e evitar o desabastecimento por falta de importação pelas distribuidoras, é preciso subir o preço do diesel (e da gasolina) fornecido por ela às distribuidoras. Com isso, volta o estímulo às distribuidoras para importarem os combustíveis. O preço fica mais caro na bomba, mas evita-se o desabastecimento pelo estímulo à importação, ainda que a preço de mercado internacional, impactado pela guerra, já que na região do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, a passagem de navios petroleiros está muitíssimo limitada, bloqueando a circulação de petróleo e combustíveis para suprir a necessidade dessa energia pelo mundo.”

Perussi alerta que é muito importante pesquisar preços, pois os postos de combustíveis são livres para definir valores. Então, nessas horas, mais do que em outras, pesquisar preço é fundamental.

O diretor do PROCON São Carlos, Tiago Nonato de Souza: A coleta de dados mserá realizada de forma padronizada pelo PROCON-SP na capital e pelos Procons municipais conveniados no interior do Estado

PROCON INICIA FISCALIZAÇÃO – Diante do imbróglio em torno dos preços dos combustíveis, principalmente do óleo diesel, o PROCON de São Carlos iniciou, na manhã desta segunda-feira, 16 de março, uma atividade de pesquisa e monitoramento de preços de combustíveis no município. A equipe do órgão de defesa do consumidor realizou um trabalho de campo durante todo o dia, coletando informações diretamente nos postos de combustíveis. Os dados levantados serão posteriormente organizados e disponibilizados para consulta da população no site oficial da Prefeitura Municipal de São Carlos.

“Após o período da manhã, participamos de uma reunião com a Fundação PROCON-SP, na qual foram apresentadas orientações da SENACON (Secretaria Nacional do Consumidor) e do próprio PROCON-SP sobre o procedimento padronizado de pesquisa e monitoramento de preços de combustíveis a ser adotado pelos Procons municipais no Estado de São Paulo”, afirma o diretor do PROCON São Carlos, Tiago Nonato de Souza.

De acordo com as orientações recebidas, o monitoramento tem caráter informativo e visa acompanhar o comportamento do mercado de combustíveis, ampliando a transparência das informações para os consumidores e permitindo uma análise mais precisa das variações de preços praticadas nos municípios.

A coleta de dados, segundo Nonato, será realizada de forma padronizada pelo PROCON-SP na capital e pelos Procons municipais conveniados no interior do Estado. Para garantir maior representatividade da pesquisa, os postos são selecionados de forma aleatória, procurando contemplar diferentes regiões da cidade e, sempre que possível, estabelecimentos com bandeiras diferentes ou independentes.

Conforme as diretrizes apresentadas, a coleta dos preços deverá ocorrer, no mínimo, de duas a três vezes por semana, em dias e horários alternados, o que possibilita acompanhar eventuais variações de preços no curto prazo.

Serão monitorados exclusivamente os preços da gasolina comum, do etanol comum e do diesel S10. Combustíveis aditivados não fazem parte da pesquisa. Os valores registrados correspondem aos preços praticados para pagamento à vista, em dinheiro ou cartão de débito, não sendo considerados descontos vinculados a aplicativos, PIX, programas de fidelidade ou promoções condicionadas a cadastro.

A coleta é realizada presencialmente pelos servidores do PROCON, que registram os preços diretamente nos painéis ou nas bombas de combustível dos postos visitados. As informações coletadas incluem também a identificação completa do estabelecimento, como nome do posto, endereço, bairro, CEP e bandeira da distribuidora.

Nonato informa como serão sistematizadas as informações resultantes da pesquisa. “Todos os dados são inseridos em formulário específico disponibilizado pela Fundação PROCON-SP, o que permitirá a consolidação das informações em uma base estadual. A partir dessa base, será possível gerar indicadores como média de preços por município, média estadual, ranking de preços e variações diárias ou semanais.”

Essa iniciativa, segundo ele, contribui para ampliar o acesso da população a informações atualizadas sobre os preços praticados no mercado de combustíveis, além de subsidiar ações de orientação ao consumidor e eventuais atividades de fiscalização pelos órgãos de defesa do consumidor.

“Informo ainda que estaremos em contato diário com a Fundação PROCON-SP e com a SENACON. Caso haja qualquer atualização ou nova orientação sobre os procedimentos adotados, seremos prontamente informados para adequação das atividades”, completa Nonato.