Saúde mental

Palestra debate "Neurodivergência" no dia 18 de março

Juliana Moraes é formada pela UNESP de Marília, é mestre em Terapia Ocupacional pela UFSCar e especialista em Análise do Comportamento Aplicado (ABA) pelo Lahmei UFSCar

15 MAR 2026 • POR Da redação • 08h17
A terapeuta ocupacional especializada em autismo, Juliana Lopes de Moraes: "praticamente todas as famílias têm pelo menos um autista"

A terapeuta ocupacional Juliana F. Lopes de Moraes realizará, no dia 18 de março, próxima quarta-feira, às 18h30, na escola Objetivo Júnior, em São Carlos, uma palestra com o tema “Neurodivergência na Escola (Autismo, TDAH, Altas Habilidades)”.

Formada pela UNESP de Marília, Juliana se aperfeiçoou em Neuropediatria pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC), é mestre em Terapia Ocupacional pela UFSCar e especialista em Análise do Comportamento Aplicado (ABA) pelo Lahmei UFSCar (cursos de integração sensorial), além de atender na clínica Sílaba, especializada em autismo. Ela tem um podcast sobre autismo que se chama “Autismo Outbox” e ministra palestras sobre autismo e outras deficiências.

Segundo Juliana, a criança já nasce com autismo. Ela explica que é genético, mas afirma que a ciência ainda estuda o tema e não há conclusão de que o espectro seja hereditário. “O TEA é genético. Existem mitos e suposições de que o TEA poderia ser causado pela ausência de algum alimento na gestação, mas nada foi comprovado”, destaca ela.

De acordo com estimativas feitas por Juliana, São Carlos tem uma média de 7 mil pessoas autistas entre crianças, adolescentes e adultos. Ela chegou a este número usando métodos de um órgão internacional especializado no tema, o CDC – Centers for Disease Control and Prevention (CDC), que estima que há 1 autista a cada 36 pessoas. São Carlos tem 254 mil habitantes.

O transtorno do espectro autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficits na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados, podendo apresentar um repertório restrito de interesses e atividades.

Sinais de alerta no neurodesenvolvimento da criança podem ser percebidos nos primeiros meses de vida, sendo o diagnóstico estabelecido por volta dos 2 a 3 anos de idade. A prevalência é maior no sexo masculino.

Ela afirma que existe toda uma legislação que protege o autista, que é equiparado à PCD. Segundo Juliana, embora exista uma densa legislação que protege os autistas, muitas vezes as famílias têm que entrar judicialmente para ter seus direitos. Ainda existe muita dificuldade na inclusão social de pessoas com autismo.

O sistema de educação brasileiro, segundo a especialista, não está preparado para receber os autistas. “Ainda falta informação e capacitação por parte dos profissionais da escola. Vejo mães entrando com processos judiciais para conseguir um professor ou cuidador para seus filhos na escola regular”, analisa ela.