Vírus

Há seis anos, a Organização Mundial da Saúde declarava a pandemia global de Covid-19

Em 2025, em São Carlos, foram registrados 1.909 casos positivos e 5 mortes; desde 2020 até março do ano passado, a covid matou cerca de 600 são-carlenses

11 MAR 2026 • POR Da redação • 18h37
Wesley: "Na UTI Covid, todo o paciente que era internado virava um "amigo" meu, virava um "familiar" meu"

Há exatamente seis anos, no dia 11 de março de 2020, Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, declarava que a organização elevou o estado da contaminação à pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2).

A mudança de classificação não se devia à gravidade da doença, e sim à disseminação geográfica rápida que a Covid-19 tem apresentado. "A OMS tem tratado da disseminação [do Covid-19] em uma escala de tempo muito curta, e estamos muito preocupados com os níveis alarmantes de contaminação e, também, de falta de ação [dos governos]", afirmou Adhanom no painel que trata das atualizações diárias sobre a doença.

VACINAÇÃO TEM SUCESSO, MAS DOENÇA PERSISTE - A vacinação contra a covid-19, iniciada há 5 anos no Brasil, levou ao fim da pandemia — mas a doença ainda persiste, mesmo que em patamares muito menores. Por isso, especialistas alertam que é essencial manter a imunização entre aqueles que não foram vacinados antes ou que têm maior risco de desenvolver quadros graves da doença.

A cobertura, no entanto, está longe do ideal: em 2025, de cada 10 doses distribuídas pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios, menos de 4 foram utilizadas. Foram, ao todo, 21,9 milhões de vacinas, e apenas 8 milhões aplicadas.

O médico infectologista Daniel Castorino, em entrevista exclusiva ao SÃO CARLOS AGORA, afirma que, depois de cinco anos da vacinação, podemos dizer com tranquilidade que as vacinas conseguiram acabar com a pandemia.

“A covid-19 não colapsa mais hospitais, ela deixou de ser uma preocupação tão iminente. Só que o vírus continua circulando e, portanto, presente na sociedade, em todos os lugares, e ainda é uma ameaça. Talvez o mais alarmante seja o caso das crianças, pelo estado de imunidade delas. Se elas têm uma infecção, tendem a ter quadros mais potencialmente graves. Justamente esta faixa etária vem deixando de se vacinar. Parte disso acredito que venha da desinformação, da hesitação vacinal, não só da vacina contra a Covid, mas também há resistência com outras vacinas”, explica Castorino.

Segundo ele, as pessoas ficaram com receios que surgiram por vários motivos, inclusive políticos. “Mas isso criou um movimento antivacina. Tem pessoas que até têm boas intenções e acabam adotando uma postura antivacinal também. Isso é um efeito negativo. O sucesso da vacina cria, também, uma falsa sensação de segurança. Sei que isso parece contraditório. Quanto melhor a vacina funciona protegendo contra doenças, mais as pessoas acham que não precisam delas. Quando há uma redução de óbitos e de internações, as pessoas têm uma falsa sensação de que a doença deixou de ser uma preocupação. Mas ela continua sendo uma preocupação. A situação somente se tornou mais branda justamente porque a vacinação foi efetiva”.

O infectologista pondera que, se é verdade que não temos a mesma emergência de 2020 e 2021, a doença continua sendo extremamente grave, principalmente para idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e doenças crônicas. De acordo com ele, sempre existe a possibilidade de surgir uma nova variante e provocar uma nova onda de casos, justamente porque, se temos várias pessoas adoecendo, isso propicia uma mutação do vírus, e esses vírus se tornam uma nova variante. “Então, se eu tenho uma baixa circulação viral, acabo tendo menor chance de ter variações no material genético do vírus e, portanto, menos mutações”, explica.

Por fim, o médico infectologista alerta para a necessidade de a população continuar confiando e apostando na vacina como único meio de evitar a infecção pela covid. “Se tem uma mensagem que posso passar é que a vacina, neste caso, não representa uma proteção individual, mas sim uma proteção coletiva; ela é um pacto coletivo. E se este pacto deixa de ser visto dessa maneira, de forma coletiva, ainda temos uma perda nos benefícios que as vacinas poderiam ter. Quando muitas pessoas deixam de se vacinar, o vírus volta, encontra espaço para circular e poderá se tornar um risco muito grande, nos fazendo voltar àquelas cenas horríveis dos últimos anos. Não podemos, então, esperar uma nova crise para utilizar a ferramenta de imunização, que é a vacinação. Não há outra estratégia mais efetiva. Assim conseguiremos evitar retornar a situações alarmantes”, conclui Castorino.

Desde 2024, a vacina contra a covid-19 foi incluída no calendário básico de vacinação de três grupos: crianças, idosos e gestantes. Além disso, pessoas que fazem parte de grupos especiais (confira as informações completas abaixo) devem reforçar a imunização periodicamente. No entanto, cumprir esse calendário tem sido um desafio no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, 2 milhões de doses foram aplicadas no público infantil em 2025, mas a pasta não especificou qual o índice de cobertura atingido com esse total.

O painel público de vacinação indica que apenas 3,49% do público-alvo menor de 1 ano foi vacinado em 2025. Em nota, o Ministério informou que “os dados atuais subestimam a cobertura real: o painel apresenta apenas a aplicação em crianças menores de um ano, enquanto o público-alvo inclui crianças menores de cinco anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais”, e que “está desenvolvendo a consolidação dos dados por coorte etária”.

Quem deve se vacinar contra a covid-19?

Bebês:

Crianças imunocomprometidas:

Crianças indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou com comorbidades:

Crianças com menos de 5 anos que ainda não foram vacinadas ou que não receberam todas as doses devem completar o esquema básico.

Gestantes:

Puérperas (até 45 dias após o parto):

Idosos, a partir dos 60 anos:

Pessoas imunocomprometidas:

Pessoas vivendo em instituições de longa permanência, indígenas que vivem ou não em terra indígena, ribeirinhos, quilombolas, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, pessoas com comorbidades, pessoas privadas de liberdade, funcionários do sistema de privação de liberdade, pessoas em situação de rua e trabalhadores dos Correios:

Pessoas entre 5 e 59 anos que não se encaixam nos grupos prioritários, mas nunca foram vacinadas contra a covid-19:

MORTES EM SÃO CARLOS

Os registros de mortes por Covid-19 em São Carlos (SP) apresentaram uma queda drástica nos últimos anos, conforme os dados disponibilizados pelo Departamento de Vigilância em Saúde do município.

Abaixo estão os números confirmados de casos com mortes (óbitos) registrados ano a ano:

Ano — Número de mortes registradas

2020 — 76 óbitos (registrados entre abril e dezembro)
2021 — 507 óbitos (ano com o pico de letalidade, especialmente em março)
2022 — Dados regionais indicam queda, mas o acumulado local superou 600 mortes desde o início da pandemia até março daquele ano
2023 — Período de estabilização pós-vacinação em massa (dados consolidados anuais menos divulgados isoladamente)
2024 — 18 óbitos
2025 — 5 óbitos (todos de pacientes com comorbidades)

Destaques recentes (2024–2025):

Em 2024: o município registrou 5.959 casos positivos e 18 mortes.
Em 2025: foram 1.909 casos positivos e apenas 5 mortes ao longo de todo o ano. Os óbitos ocorreram nos meses de janeiro, abril, outubro, novembro e dezembro.

Primeiro registro: a primeira morte na cidade ocorreu em 5 de abril de 2020.