LUCÃO FERNANDES: "Deveríamos ter 4 candidatos a deputado, com dois da direita e dois da esquerda"
Presidente da Câmara Municipal destaca que o município vive um longo período de esvaziamento institucional nas esferas superiores
6 MAR 2026 • POR Da redação • 06h25O vereador e presidente da Câmara Municipal pela terceira vez, Lucão Fernandes (PP), afirmou, durante o programa SÃO CARLOS AGORA ENTREVISTA, na manhã desta quinta-feira, 5 de março, que São Carlos deveria ter quatro candidatos nas eleições de 2026. “Deveríamos ter dois candidatos a deputado estadual e dois candidatos a deputado federal, sendo dois da direita e dois da esquerda. O Newton Lima e o Djalma Nery tinham tudo para se unir, com Newton concorrendo à Câmara dos Deputados e com Djalma concorrendo a uma cadeira na ALESP. Na direita é mais complicado porque existe um número de candidatos muito grande e é mais difícil chegarmos a um acordo”, comenta.
Lucão descartou a possibilidade de ser candidato a deputado estadual. Disse que nunca aventou essa possibilidade, até pelo número muito grande de postulantes que já se apresentaram. “Alguns amigos talvez desejassem que eu fosse candidato, mas já temos muita gente com intenção de disputar”, comenta.
O vereador tratou da representatividade política de São Carlos. Em tom direto, ele destacou que o município vive um longo período de esvaziamento institucional nas esferas superiores. “Estamos há anos sem voz ativa. Desde 2014, São Carlos não tem representação na Câmara Federal. E desde 2002 não elegemos um deputado com base política consolidada na cidade. Isso é um fato. E precisamos encarar essa realidade com responsabilidade”, declarou.
Para Lucão, a ausência de representantes na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e na Câmara dos Deputados compromete a capacidade de articulação por investimentos e políticas estruturantes.
RESPOSTA A ALTOMANI – Lucão falou também que, apesar de o ex-prefeito Paulo Altomani ter diferenças políticas com ele, continuam sendo amigos. “O Paulo enfrentou muitas dificuldades em seu governo, principalmente pelos sequestros de recursos naquela polêmica toda, o que gerava muitas dificuldades”.
Por outro lado, Lucão destacou as 26 mil cirurgias eletivas que Altomani realizou e lembrou como elas foram viabilizadas. “Logo depois que ele ganhou as eleições, me pediu para mexer no orçamento de 2013 para reservar R$ 10 milhões da saúde, para que ele pudesse investir esse montante em cirurgias eletivas e zerar a enorme fila que existia. Então, seu governo também teve aspectos bastante positivos e temos que reconhecer o trabalho dele, sim”, disse.
COMBATE AO FEMINICÍDIO – Aproveitando o espaço, o presidente do Legislativo convocou vereadores e a sociedade para o ato “São Carlos por Elas”, marcado para o próximo dia 8, às 9h, na Praça Coronel Sales. Ele fez questão de frisar que a mobilização é apartidária. “O ato não é do Lucão. Não é de partido. É da Câmara Municipal e da cidade”, afirmou.
Lucão relatou que tem acompanhado mobilizações semelhantes em capitais e outras cidades do país e defendeu que São Carlos, reconhecida como polo de tecnologia e conhecimento, não pode se omitir diante da pauta do combate ao feminicídio e à violência contra a mulher.
A Câmara Municipal de São Carlos construirá uma nova sede e deixará o centenário Edifício Euclides da Cunha. Para tanto, haverá a desapropriação de um imóvel em frente à própria Câmara, onde antigamente funcionou a Lanchonete do Pira.
NOVAS ACOMODAÇÕES – Lucão afirmou que a construção de um novo prédio para o Poder Legislativo é aprovada pelos 21 vereadores, inclusive os da oposição. A insalubridade, principalmente dos porões onde funcionam vários gabinetes que têm carência de ventilação natural, a falta de conforto para quem vai ao plenário assistir às sessões e outros problemas causados pelos limites de mudanças impostos pelas restrições de se alterar um prédio histórico, tombado pelo Condephaaat, surgem como argumentação para a mudança do local atual da Casa de Leis. “Temos que construir um novo prédio para a Câmara Municipal, pois o Edifício Euclides da Cunha não tem mais condições”, ressalta Lucão.