Artigos científicos com Kleber Chicrala

Nova luz contra a dor de garganta: tecnologia brasileira aposta na terapia fotodinâmica para reduzir o uso de antibióticos

Entrevistada: Dra Fernanda Manzano Carbinatto - CEPOF-CEPIX- INCT IFSC USP Grupo de Óptica

8 MAR 2026 • POR Kleber Jorge Savio Chicrala • 07h00
Médico analisa garganta de menina - (Créditos "Centa Medical Group") Portal USP São Carlos

Dispositivo desenvolvido em São Carlos aplica luz azul nas amígdalas e surge como  alternativa promissora no tratamento das faringotonsilites.
A dor de garganta, sintoma frequente em crianças e adultos, pode deixar de ser motivo  recorrente de consultas médicas e uso repetido de antibióticos. Pesquisadores do Instituto  de Física de São Carlos (IFSC-USP) – CEPOF – CEPIX – INCT – IFSC - USP, sob supervisão da Profa. Dra. Kate C. Blanco e do  Prof. Dr. Vanderlei S. Bagnato, em parceria com profissionais da saúde e uma empresa  do setor tecnológico, desenvolveram um dispositivo inovador para o tratamento de  faringotonsilites por meio da Terapia Fotodinâmica (TFD). 

O estudo clínico piloto está em andamento em São Carlos (SP), com aprovação do comitê  de ética e acompanhamento de pacientes adultos e pediátricos. A pesquisa busca oferecer  uma alternativa eficaz e segura, contribuindo também para o enfrentamento da crescente  resistência bacteriana. 

A dor de garganta pode ter diferentes causas. Na maioria dos casos, está associada a  infecções virais, como resfriados e gripes, que tendem a melhorar espontaneamente com  repouso, hidratação e uso de analgésicos. Entretanto, quando a infecção é bacteriana, o  quadro costuma ser mais intenso, com febre alta, presença de placas de pus nas amígdalas,  dor ao engolir e aumento dos gânglios no pescoço. Nessas situações, o tratamento  convencional inclui antibióticos. 

O desafio surge quando os episódios se tornam recorrentes ou quando o uso frequente  desses medicamentos favorece a resistência antimicrobiana. Esse fenômeno ocorre  quando as bactérias desenvolvem mecanismos de defesa contra os antibióticos, tornando  os tratamentos progressivamente menos eficazes. Atualmente, a resistência bacteriana é  considerada um dos principais desafios de saúde pública no mundo. 

É nesse contexto que a Terapia Fotodinâmica ganha destaque. A técnica combina a  aplicação de um agente fotossensibilizador, substância que reage à luz, com um  dispositivo que emite luz azul direcionada às amígdalas. Essa interação promove a  redução da carga microbiana de forma localizada, sem induzir resistência bacteriana. 

Além de atuar nos quadros agudos, estudos anteriores do grupo indicam que a TFD pode  contribuir para a redução das recorrências de dor de garganta. A tecnologia é 100% 
nacional e resultado de mais de uma década de pesquisas que envolvem ciência básica,  desenvolvimento tecnológico e aplicação clínica. 

Segundo os coordenadores do projeto, o objetivo é consolidar protocolos que futuramente  possam integrar a prática médica, reduzindo o uso indiscriminado de antibióticos e  oferecendo uma alternativa menos invasiva do que procedimentos cirúrgicos, como a  retirada das amígdalas em casos crônicos. 

Outro ponto positivo é a boa aceitação pelos pacientes e a ausência de efeitos adversos  relevantes observados até o momento, reforçando o potencial da Terapia Fotodinâmica  para transformar o tratamento das infecções de garganta. 

 
                               
                                      Chamada para participação na pesquisa 
 

Crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que sofrem com dores de garganta frequentes,  amigdalites recorrentes ou quadros persistentes podem participar da seleção de pacientes  para avaliação e possível inclusão no protocolo terapêutico com Terapia Fotodinâmica. Os pais ou responsáveis devem entrar em contato com a Unidade de Terapia  Fotodinâmica pelo telefone (16) 3509-1351 para agendamento de avaliação clínica e  verificação dos critérios de elegibilidade.
Fontes: Dra Fernanda Manzano Carbinatto - CEPOF-CEPIX- INCT – IFSC – USP – Grupo de Óptica; Profa. Dra. Kate C. Blanco – CEPOF – CEPIX – INCT – IFSC – USP – Grupo de Óptica;   Prof. Dr. Vanderlei S. Bagnato – Coordenador CEPOF – CEPIX – INCT – IFSC -USP – Membro do Grupo de Óptica;  Me. Kleber Jorge Savio Chicrala – Jornalismo Científico e Difusão Científica – CEPOF – CEPIX – INCT – IFSC – USP – Grupo de Óptica. 


Pesquisadora Dra Fernanda Manzano Carbinatto - CEPOF-CEPIX- INCT – IFSC – USP – Grupo de Óptica