Vírus

Infectologista garante que São Carlos não registra casos de Mpox

Estado de São Paulo contabiliza a maioria dos casos; em 2025, foram registrados no país 1.079 casos e 2 óbitos

26 FEV 2026 • POR Da redação • 18h52
Mpox: Em 2025, foram registrados no país 1.079 casos e 2 óbitos - divulgação

Embora o Brasil tenha registrado 88 casos confirmados do vírus Mpox, com a maioria no estado de São Paulo, que desde janeiro contabiliza 62 casos, São Carlos ainda não registrou nenhum caso da doença. Quem garante isso é o médico infectologista Daniel Castorino. “Embora existam alguns casos na nossa região (Araraquara e Ribeirão Preto), até o momento não temos nenhum caso suspeito ou confirmado em São Carlos.”

De acordo com Castorino, isso é relativamente tranquilizador. “Mas precisamos pensar que as pessoas viajam com facilidade hoje em dia. Então pode existir a chance de transmissão entre pessoas durante viagens, por exemplo”, adverte.

“A boa notícia é que, na imensa maioria dos casos, o quadro é autolimitado, sem deixar sequelas. Nos grupos de risco, que são as pessoas gravemente imunossuprimidas (pessoas que vivem com HIV/AIDS, transplantados de órgãos ou medula óssea, pessoas com neoplasias hematológicas), pode ser realizada a vacinação, caso a autoridade sanitária do estado considere a situação epidemiológica fora de controle, o que ainda não aconteceu”, ressalta o infectologista.

O VÍRUS NO BRASIL – Os outros registros aparecem no Rio de Janeiro (15), em Rondônia (4), em Minas Gerais (3), no Rio Grande do Sul (2), no Paraná (1) e no Distrito Federal (1). Os quadros leves a moderados predominam, e não há óbitos. Em 2025, foram registrados no país 1.079 casos e 2 óbitos. Os dados são do Ministério da Saúde.

Apesar dos números apresentados pelo governo federal, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo (SES-SP) afirma que o número de casos no estado é de 50. A capital paulista é a cidade com maior número de registros: 31. Campinas, Paulínia, Sumaré, Hortolândia, Sorocaba, Várzea Paulista, Araraquara, Osasco, Cotia, Jandira, Serrana, Arujá, Santos, Guarulhos e Pradópolis registram um caso cada. Em Ribeirão Preto e Mogi das Cruzes, são dois casos em cada município. No ano passado, em janeiro, foram registrados 79 casos e, em fevereiro, 47, totalizando 126 casos nos dois primeiros meses do ano.

O QUE É MPOX E QUAIS SÃO OS SINTOMAS?

Causada pelo vírus Monkeypox, a doença é transmitida por meio de contato pessoal próximo com lesões na pele, fluidos corporais, sangue ou mucosas de pessoas infectadas. O sintoma mais comum é a erupção na pele, semelhante a bolhas ou feridas, que pode durar de duas a quatro semanas. O quadro pode incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, apatia e gânglios inchados. A erupção cutânea pode afetar o rosto, as palmas das mãos, as solas dos pés, a virilha e as regiões genitais e/ou anal.

COMO A MPOX É TRANSMITIDA?

O vírus se espalha de pessoa para pessoa por meio do contato próximo com alguém infectado, incluindo falar ou respirar próximo, o que pode gerar gotículas ou aerossóis de curto alcance; contato pele a pele, como toque ou sexo vaginal/anal; contato boca a boca; ou contato boca com pele, como no sexo oral ou mesmo beijo na pele.

O compartilhamento de objetos recentemente contaminados com fluidos ou materiais de lesões infectantes também pode transmitir a doença.

EM QUANTO TEMPO A DOENÇA SE MANIFESTA?

O intervalo de tempo entre o primeiro contato com o vírus e o início dos sinais e sintomas da Mpox (período de incubação) é, tipicamente, de 3 a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias.

Ao notar os sintomas, é preciso procurar uma unidade de saúde para realizar o exame laboratorial, que é a única forma de confirmação. O diagnóstico complementar deve ser realizado considerando as seguintes doenças: varicela-zoster, herpes-zoster, herpes simples, infecções bacterianas da pele, infecção gonocócica disseminada, sífilis primária ou secundária, cancroide, linfogranuloma venéreo, granuloma inguinal, molusco contagioso, reação alérgica e quaisquer outras causas de erupção cutânea papular ou vesicular.

“Pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem cumprir isolamento imediato, não compartilhar objetos e materiais de uso pessoal, tais como toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente e talheres, até o término do período de transmissão”, orienta o Ministério da Saúde.

QUAL É O TRATAMENTO?

O tratamento consiste no alívio dos sintomas, na prevenção e no manejo das complicações, além de evitar sequelas. A maioria dos casos apresenta sinais e sintomas leves a moderados. Não há medicamento aprovado especificamente para Mpox.

A prevenção consiste em evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Caso seja necessário manter contato, a recomendação é utilizar luvas, máscaras, avental e óculos de proteção.

Também é recomendado lavar as mãos com água e sabão ou utilizar álcool em gel com frequência. As medidas de higiene são especialmente importantes após o contato com a pessoa infectada, suas roupas, lençóis, toalhas e outros itens ou superfícies que possam ter entrado em contato com as erupções e lesões da pele ou secreções respiratórias.

“Lave as roupas de cama, roupas, toalhas, lençóis, talheres e objetos pessoais da pessoa com água morna e detergente. Limpe e desinfete todas as superfícies contaminadas e descarte os resíduos contaminados (por exemplo, curativos) de forma adequada”, alerta o Ministério.

MPOX PODE MATAR?

Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem espontaneamente em poucas semanas. No entanto, em algumas pessoas, o vírus pode provocar complicações médicas e até a morte. Recém-nascidos, crianças e pessoas com imunodepressão pré-existente correm maior risco de desenvolver sintomas graves e evoluir a óbito pela infecção.

Quadros graves causados pela Mpox podem incluir lesões maiores e mais disseminadas (especialmente na boca, nos olhos e nos órgãos genitais), infecções bacterianas secundárias da pele ou infecções sanguíneas e pulmonares. As complicações também podem se manifestar por meio de infecção bacteriana grave decorrente das lesões de pele, encefalite, miocardite ou pneumonia, além de problemas oculares.

Pacientes com Mpox grave podem necessitar de internação, cuidados intensivos e medicamentos antivirais para reduzir a gravidade das lesões e encurtar o tempo de recuperação. Dados disponíveis mostram que entre 0,1% e 10% das pessoas infectadas pelo vírus morreram, sendo que as taxas de mortalidade podem variar em razão de fatores como acesso aos cuidados de saúde e imunossupressão subjacente. (Com informações da Agência Brasil).