Federação dos Metalúrgicos destaca importância da queda do tarifaço de Trump
Por seis votos a três, a Corte entendeu que a criação de tarifas é prerrogativa do Congresso, e não do Executivo
26 FEV 2026 • POR Da redação • 08h13O presidente da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT (FEM), Erick Silva, destacou, em entrevista exclusiva ao SÃO CARLOS AGORA, a importância da decisão da Suprema Corte (SC) dos Estados Unidos, que, na última sexta-feira, 20 de fevereiro, derrubou as tarifas contra produtos estrangeiros adotadas ao longo de 2025 pelo presidente Donald Trump.
A SC considerou ilegais as tarifas impostas anteriormente pelo presidente Donald Trump com base em poderes de emergência. Por seis votos a três, a Corte entendeu que a criação de tarifas é prerrogativa do Congresso, e não do Executivo.
O julgamento anulou parte relevante do chamado tarifaço, por meio do qual o governo Trump havia imposto alíquota global de 10% e uma sobretaxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, totalizando 50% em alguns casos.
“A medida é importante. A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar as medidas do presidente Donald Trump foi algo importante e inesperado. Nós sabemos que a Suprema Corte norte-americana tem predominância de magistrados conservadores. Mas isso representa um respiro nos freios e contrapesos da democracia americana”, destacou Erick.
Segundo ele, para o Brasil, a medida pode trazer reflexos importantíssimos, pois ainda havia algumas áreas, principalmente da produção industrial, ainda sujeitas às tarifas altas. “Este é um problema que o governo federal vem se empenhando para resolver, mas ainda não tinha conseguido remover as tarifas adicionais para nós, metalúrgicos, setor eletroeletrônico, de máquinas e de autopeças. Foi uma excelente notícia.”
ALCKMIN VÊ TARIFA DE 15% COMO “POSITIVA” – O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, voltou a comentar, no último domingo, 22 de fevereiro, os impactos da nova tarifa global de exportações anunciada pelo governo dos Estados Unidos (EUA), de 15%, sobre as exportações de todos os países. Ele comparou a nova taxa com a situação anterior, em que as tarifas praticadas pelos EUA eram específicas de acordo com cada país.
"É inegável, mesmo com 15%, você ganha mais competitividade em tudo. Nós estávamos com 50% [de tarifas] em muitos produtos, e os concorrentes com 10% ou 15%. Agora fica tudo muito igual e, em alguns setores, nós ficamos com zero. Como eu destaquei aqui: avião, ônibus, aeronáutica, suco de laranja, celulose, aí [tarifa] zero", declarou Alckmin a jornalistas após participar da missa de lançamento da Campanha da Fraternidade, nesse domingo (22), no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP).
Segundo o presidente em exercício, a isenção é especialmente relevante para a indústria aeronáutica brasileira, que depende do mercado externo para manter escala e competitividade. Alckmin lembrou que, mesmo com o chamado "tarifaço", o Brasil registrou recorde de exportações no último ano, com US$ 348,7 bilhões, resultado atribuído à diversificação de mercados e à ampliação de acordos comerciais.
Ele citou como exemplos recentes os avanços do Mercosul em negociações com Singapura e com países da Associação Europeia de Livre Comércio (Efta) — Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça —, além da importância da agenda internacional do presidente Lula para fortalecer parcerias estratégicas, como com Estados Unidos e Índia.
Para Alckmin, a ampliação de mercados é essencial para a indústria nacional. "As indústrias, se não exportarem, não sobrevivem. Exportação significa emprego e renda aqui dentro", concluiu. (Com informações da Agência Brasil).