Economista afirma que São Carlos é "muito passivo" com sua ferrovia
Luiz Fernando Paulillo destaca que existem experiências que transformaram o corredor de um ramal importante como esse em um enclave econômico mais vital.
28 FEV 2026 • POR Da redação • 10h51São Carlos não utiliza o potencial que possui com seu ramal ferroviário. A postura é de um município “muito passivo” com o potencial que esse modal de transporte lhe proporciona. A afirmação é do economista Luiz Fernando Paulillo, professor da UFSCar, com larga experiência em economia regional. Em entrevista exclusiva ao SÃO CARLOS AGORA, ele fala da importância da ferrovia na cidade e explica como o município poderia turbinar seu desenvolvimento utilizando melhor esse modal.
A cidade está no centro logístico ferroviário do agronegócio brasileiro, que liga regiões produtoras do Centro-Oeste ao Porto de Santos. Hoje, mais de 25 trens circulam diariamente por São Carlos e região, muitos deles com composições de 135 vagões e capacidade para transportar aproximadamente 13 mil toneladas por viagem, o equivalente a 288 caminhões bitrem.
Além de grãos, a ferrovia transporta combustíveis, óleo vegetal, celulose, fertilizantes, cimento e cargas diversas em contêineres. Parte relevante desse fluxo tem origem em Rondonópolis (MT), com destino ao Porto de Santos.
SÃO CARLOS AGORA - Qual é a importância de São Carlos abrigar hoje um ramal ferroviário que tem importante papel no transporte de produtos de regiões bastante distantes?
LUIZ FERNANDO PAULILLO - Tem grande importância para o município por abrigar um conjunto significativo de prestadores de serviços e contratações de mão de obra para os elos de logística e distribuição dessas cadeias agroalimentares e também industriais que utilizam esse modal. São Carlos, pela sua localização e por abrigar esse importante ramal, é reconhecido como um enclave estratégico da distribuição.
SCA - São Carlos utiliza bem esse know-how ou não?
PAULILLO - Muito passivo. Existem experiências que transformaram o corredor de um ramal importante como esse em um enclave econômico mais vital, com utilização de prestação de serviços em inteligência artificial, formação de centrais de sistematização de dados para distribuições coordenadas dessas importantes cadeias produtivas e redes de logística, porto seco etc.
SCA - A cidade poderia utilizar isso de forma mais eficaz?
PAULILLO - Sim. A engenharia de processos nas cadeias de produção e redes de distribuição é desenvolvida no país e deve ser melhor compreendida pelos atores públicos e privados do município.
SCA - É um ponto positivo para a cidade na hora de atrair novas empresas ou investimentos em geral?
PAULILLO - Muito. Não tenha dúvida disso. E, quanto mais inovadora e atualizada, mais atrativa será.
Foto: O economista Luiz Fernando Paulillo: “São Carlos, pela sua localização e por abrigar esse importante ramal, é reconhecido como um enclave estratégico da distribuição”.