Caso Osmar Castro

Acusados pela morte de construtor em São Carlos serão julgados em março

Filha da vítima declara que dor é permanente e reforça: "É só isso que queremos: justiça".

17 FEV 2026 • POR Da redação • 07h40
Osmar foi espancado até a morte - arquivo pessoal

O Tribunal do Júri que vai julgar os acusados pela morte do construtor Osmar Aparecido de Castro, de 51 anos, será realizado no dia 26 de março, no Fórum Criminal de São Carlos. O caso ocorreu na madrugada de 18 de novembro de 2023, no bairro Jardim Paulistano, e causou grande comoção na cidade.

O São Carlos Agora conversou com a filha da vítima, Paola Castro, que falou sobre a expectativa da família para o julgamento.

“Esperamos que a justiça seja feita, isso seria o mínimo, porque meu pai morreu por nada e os assassinos estão soltos até hoje, enquanto meu pai nunca mais volta. É só isso que queremos: justiça”, afirmou.

Ao falar sobre como tem sido o período sem o pai, Paola desabafou sobre a dor permanente deixada pela perda.

“A vida nunca mais é a mesma. Você aprende a esconder a dor, mas nunca mais nada é igual, nem vai ser. Ele era nossa base e destruíram isso da gente. Infelizmente, a vida tem que seguir. Perder alguém já é muito difícil, e do jeito que fizeram... isso nunca vai ser reparado, nunca”, declarou.

Osmar e filha Paola.

Caso foi esclarecido pela DIG

A equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), sob o comando do delegado João Fernando Baptista, esclareceu o assassinato. Sete pessoas foram indiciadas por homicídio e podem ser levadas a júri popular.

Em entrevista à época, o delegado explicou que a principal dificuldade em casos com vários envolvidos é individualizar a conduta de cada participante. Por meio de imagens de câmeras de segurança, os investigadores conseguiram identificar os agressores e esclarecer a dinâmica do crime.

Segundo a investigação, cinco indivíduos praticaram agressões consideradas não fatais contra a vítima, enquanto dois teriam desferido os golpes que causaram a morte. De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Osmar sofreu traumatismo craniano após ser atingido com pedradas na cabeça.

Motivação

De acordo com o delegado, o episódio teria começado após uma brincadeira feita pela vítima em uma adega localizada na rua Iwagiro Toyama, em frente a uma praça.

Osmar teria perguntado se havia cerveja long neck da marca Heineken e, ao ser informado de que só havia lata, disse em tom de brincadeira: “Você está tirando a favela”. Um homem que estava próximo, sem participar da conversa, teria se sentido ofendido, entendendo que a vítima chamava o local de favela.

Esse indivíduo passou a provocar o construtor e, em seguida, chutou a lataria da caminhonete da vítima e jogou um copo com líquido no veículo. Osmar foi tirar satisfações e houve troca de agressões. Outros seis homens, amigos do suspeito, passaram a agredir o construtor.

A vítima chegou a se levantar com ajuda de algumas pessoas e deu a volta no quarteirão, sendo perseguida. Ao retornar à adega, foi novamente agredida. Segundo a investigação, dois dos envolvidos passaram a desferir tijoladas contra sua cabeça, o que provocou sua morte.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público e os indiciados aguardam o julgamento. Há ainda outra investigação em andamento, pois existe a suspeita de que objetos tenham sido subtraídos da caminhonete da vítima e que um dos envolvidos tenha deixado o local com o veículo, abandonando-o alguns quarteirões depois.