Pirassununga

Mogi Guaçu cheio possibilita que hidrelétrica opere com 100% da capacidade

A expectativa é de que o volume de água permaneça assim até o final de fevereiro, com o fim das chuvas intensas.

16 FEV 2026 • POR Da redação • 16h09
Rio Mogi em Pirassununga - SCA

O período de chuvas deixou o Rio Mogi Guaçu muito cheio e possibilita que a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) de Cachoeira de Emas, em Pirassununga, opere com 100% de sua capacidade. Nesta semana, a vazão do rio chegou a 936 m³/s. A expectativa é de que o volume de água permaneça alto até o final de fevereiro, com o fim das chuvas intensas.

Apesar de a vazão atual ser suficiente para a Aratu operar com 100% de sua capacidade, isso não quer dizer que tal situação ocorra ininterruptamente, pois há variações no nível do rio ao longo dos dias.

A usina gera uma média de 3.000 MWh por mês, o suficiente para atender ao consumo de 15.000 residências. Para tanto, a Aratu, empresa responsável pela operação, instalou dez turbinas do tipo StreamDiver®, com potência instalada de 7,2 MW.

A PCH Emas Nova depende da vazão do Rio Mogi Guaçu, pois não tem reservatório, como nas hidrelétricas servidas por uma represa, caso da CGH Lobo, em Itirapina, por exemplo. Devido a um período de seca, a PCH Emas Nova ficou sem operação entre o início de agosto e o final de outubro de 2025, situação que é prevista no projeto de reativação da usina.

O diretor da Aratu, Ricardo Flores, destaca a viabilidade econômica do investimento. “Sim, compensou o investimento, pois o Brasil precisa de fontes de geração de energia limpa, aproveitando todo o seu potencial hidrelétrico e evitando a demanda por usinas mais poluentes, como as térmicas. O retorno do investimento ocorre no longo prazo, mas a Aratu tem confiança de que o investimento representa um benefício para o país e para a população local”, afirma.

Segundo ele, a Aratu está sempre avaliando novas oportunidades, mas, no momento, não há outro projeto em andamento. Além da PCH Emas Nova, a Aratu detém a concessão da CGH Lobo, localizada na Represa do Broa, entre Itirapina e Brotas.

Flores comenta que, além dos impostos gerados nas esferas municipal, estadual e federal, as CGHs e PCHs desempenham um papel fundamental no setor energético, combinando geração renovável e desenvolvimento regional. “As CGHs e PCHs operam com reservatórios menores ou mesmo em regime de fio d’água, como é o caso da PCH Emas Nova, minimizando os impactos ambientais. Com a geração local e descentralizada, as CGHs e PCHs diminuem a demanda sobre as linhas de transmissão e diversificam a matriz energética, auxiliando na redução do uso de fontes não renováveis, como carvão e diesel.”

EMPREGOS E SUSTENTABILIDADE – Durante as obras, foram gerados, em média, 200 empregos diretos e indiretos. Na fase atual de operação, são 25 empregos entre diretos e indiretos.

A implantação da hidrelétrica, segundo laudos, não alterou a piscosidade do Rio Mogi Guaçu. Conforme demonstraram os resultados dos Programas de Monitoramento da Ictiofauna e da Qualidade da Água desenvolvidos para a fase de construção, as obras realizadas no leito do rio não prejudicaram as condições para o desenvolvimento dos peixes. Com a entrada em operação da usina, também não se esperam alterações na piscosidade do rio, o que continuará sendo monitorado durante todo o período de operação. “Após a conclusão das obras de reativação, o fluxo de água do rio foi regularizado, respeitando suas condições hidrológicas”, comenta o executivo.

Segundo Flores, os impactos no rio foram temporários, como durante a instalação das ensecadeiras para viabilizar a implantação das estruturas da nova casa de força, quando houve aumento temporário da turbidez das águas — situação acompanhada de perto pelo Programa de Monitoramento da Qualidade da Água e normalizada imediatamente após o término das atividades. “O canteiro de obras ocupou pequenas áreas próximas ao rio, nas quais o processo de recuperação ambiental com plantio de espécies nativas, iniciado em dezembro de 2024, foi finalizado”, ressalta.

Ele explica ainda que todo o processo de licenciamento ambiental foi realizado junto à CETESB, órgão responsável pelo licenciamento de obras hidráulicas no Estado de São Paulo. As demais licenças e autorizações necessárias à entrada em operação foram obtidas junto aos órgãos pertinentes, como ANEEL, ANA, Neoenergia Elektro e a Prefeitura Municipal.

Flores destaca ainda que as obras foram realizadas com o máximo cuidado técnico e ambiental, mitigando qualquer impacto direto à comunidade local e ao turismo. Ao longo de um ano e meio de obras, não houve registros de diminuição do fluxo de turistas devido às mudanças na paisagem; pelo contrário, muitos visitantes se mostraram interessados em conhecer e saber mais sobre o projeto.

Um dos desafios da empresa foi convencer a população de que a implantação da usina não traria prejuízos ao distrito. Para tanto, um dos programas implementados durante a fase de construção foi o Programa de Comunicação Social, que teve como objetivo garantir transparência, engajamento comunitário e esclarecimento sobre os impactos e benefícios do projeto.

Ele atuou como canal de diálogo entre a empresa, a população local, órgãos públicos e demais partes interessadas, por meio de redes sociais, atualização do site, plantões de dúvidas e criação de campanhas socioambientais com escolas e universidades. A iniciativa ajudou a construir confiança e aceitação social, reduzindo incertezas e dúvidas sobre o empreendimento e garantindo que a obra fosse compreendida e acompanhada pela comunidade.

PROGRAMA DE VISITAÇÃO – Desde outubro de 2024, a Aratu Geração conta com o Programa de Visitação na PCH Emas, chamado “Você na Usina”. Durante as visitas, os participantes têm a oportunidade de conhecer a história de funcionamento das duas antigas usinas hidrelétricas — uma construída em 1922 e outra em 1942 —, entender como a energia era gerada há mais de 100 anos e comparar esse processo com a tecnologia das novas turbinas, mais modernas e eficientes, que produzem energia de forma sustentável e inovadora. Também é apresentada a importância da preservação dos recursos naturais por meio da educação socioambiental. O programa é voltado para escolas, universidades e grupos organizados e, um domingo por mês, a antiga usina é aberta ao público em geral, fortalecendo o vínculo entre a empresa e a sociedade.