Segurança

Acusados de envolvimento na morte de casal participam de audiência

14 FEV 2026 • POR Da redação • 07h52
Policiais deixando o Damha II e no detalhe o casal de advogados - arquivo

A Justiça Criminal realizou, na quarta-feira (11) e quinta-feira (12), a segunda etapa da fase de instrução do processo que apura o assassinato do casal José Eduardo Ometto Pavan, 69 anos, e Rosana Ferrari, 61. Os dois foram mortos no dia 4 de abril do ano passado, na chácara da família, localizada na Rua Iguatemy de Castrona área rural de São Pedro. Os corpos foram encontrados no dia 6 de abril, no interior da caminhonete Fiat Toro do casal, com placas de Araraquara.

Durante os dois dias de audiência, no Fórum de São Pedro, foram realizadas as oitivas dos acusados de envolvimento na trama, considerada pelo Ministério Público como uma ação premeditada que culminou na execução do casal.

Audiências e silêncio dos réus

Nesta nova etapa, os sete acusados foram formalmente interrogados. Segundo o advogado de defesa Wagner dos Santos, que representa “Cesão” e “Índio”, seus clientes optaram por permanecer em silêncio.

“Nos dias 11 e 12 foram realizadas duas audiências para ouvir as testemunhas de defesa e os interrogatórios dos réus. Os meus clientes, que são o César e o Edinaldo, permanecem em silêncio desde o início do processo e ontem também permaneceram em silêncio, por ser um direito constitucional de qualquer pessoa que está sendo acusada”, afirmou.

O defensor acrescentou que ambos se declaram inocentes. “O César e o Edinaldo se reportam a mim como inocentes, que eles não cometeram esse crime.”

Wagner explicou ainda que o processo deve avançar para uma nova fase, dependendo da juntada de laudos periciais. “Ainda faltam alguns laudos periciais de notebooks, iPads e telefones que foram apreendidos e que não foram juntados ao processo. Assim que esses laudos forem anexados, o juiz abrirá prazo para as alegações finais dos defensores.”

Após essa etapa, o magistrado decidirá se os réus serão pronunciados para julgamento pelo Tribunal do Júri. “Se ele pronunciar, o processo vai para a Vara do Tribunal do Júri, onde acontecerá o julgamento pelo povo, pelos jurados”, completou.

Carro onde casal foi encontrado morto

Investigação aponta prejuízo milionário

Durante a primeira audiência, realizada em 10 de dezembro de 2025, a delegada Juliana Ricci detalhou a linha investigativa que aponta um suposto esquema envolvendo disputas patrimoniais e fraudes.

Segundo ela, as vítimas iniciaram, em 2013, um empreendimento imobiliário em São Carlos, no qual adquiriram 16 flats. O projeto, chamado Carmini Bota, não teria sido concluído. Diante das dificuldades financeiras e da cobrança de credores, foi criada uma holding para proteger o patrimônio do casal.

“Essa holding foi colocada no nome dos advogados. E os bens foram transferidos por meio de contratos de dação em pagamento, como se a vítima estivesse pagando honorários. Só em imóveis foram cerca de 12 milhões de reais, um valor muito acima da média”, afirmou a delegada.

Ela também apontou que as vítimas teriam sido induzidas a erro quanto a supostas custas processuais. “As vítimas depositavam dinheiro na conta dos advogados para pagamento de custas que não existiam. Houve, inclusive, falsificação de decisão judicial. Foram mais 2,8 milhões de reais. O prejuízo total gira em torno de 15 milhões.”

Ainda conforme a delegada, no dia 27 de março houve decisão judicial reconhecendo como lícita a transferência de bens a título de honorários — sem que, segundo a investigação, o Judiciário tivesse conhecimento das supostas irregularidades.

“No dia 29 de março identificamos que todos os investigados estavam na Estância Morro Verde, em São Pedro. No dia 4 de abril, as vítimas foram assassinadas”, declarou.

O processo segue em fase de instrução. Após a conclusão das etapas pendentes, a Justiça decidirá se os acusados irão a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Helicóptero Pelicano foi utilizado na operação

Operação Jogo Duplo

As investigações foram conduzidas pela delegada J.P.R., da Divisão de Homicídios da Delegacia Especializada em Investigações Criminais, vinculada ao DEINTER 9 – Piracicaba.

Na manhã de 17 de junho, a Polícia Civil deflagrou a “Operação Jogo Duplo”, com apoio do helicóptero Pelicano, da Capital paulista. Na ocasião, foram presos, em um condomínio do complexo Damha, na região norte de São Carlos, os advogados H.P.B., 44, e F.M.T.B., 47.

Também foram detidos o segurança C.C.L.O., 57, conhecido como “Cesão”, preso na região leste de São Carlos; e E.J.V., 54, o “Índio”, capturado na Baixada Santista.

Posteriormente, em uma segunda fase, foram presos A.S.L., o “Cacá”, o comerciante J.S.L., 60, conhecido como “Saúde”, além de um homem identificado como Carlos, cuja identidade não foi divulgada. Ele é apontado como suspeito de participação na entrega da arma de fogo utilizada no crime — acusação que nega.

Todos foram indiciados e respondem por homicídio qualificado, associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica, uso de documento público falso, fraude processual e ocultação de cadáver.